Manaus sáb, 17 out
A Crítica
Opinião

Combate à pobreza menstrual

Publicado em 09/03/2022 às 11h21 · Atualizado em 13/03/2022 às 19h01
Combate à pobreza menstrual

A pobreza menstrual é um problema que atinge mais de 20% das jovens brasileiras, segundo dados mais recentes. Uma em cada cinco adolescentes perdem aulas durante a menstruação por falta de acesso a absorventes higiênicos, além do risco que correm devido a higiene inadequada. A criação do Programa de Proteção e Promoção da Saúde Menstrual, lançado ontem pelo Governo Federal, é uma medida importante, mas insuficiente. Como depende de disponibilidade orçamentária para sua execução, provavelmente só poderá sair do papel em 2023. Uma atitude mais direta seria a lei que prevê a distribuição de absorventes a mulheres em escolas públicas, mas ela foi vetada pelo presidente da República no ano passado, sob o argumento de que “contraria o interesse público”. O veto será analisado no Senado e pode ser derrubado.

Pobreza menstrual não se refere apenas à falta de acesso aos produtos necessários para manter uma adequada higiene durante o período, mas também carência de informações e educação, até mesmo para lidar com a menstruação. Soma-se a isso o machismo entranhado em todos os aspectos da vida social e está pronto um cenário de difícil alteração. Se esta é a realidade nas periferias das grandes cidades, é muito mais intensa em regiões como o interior da Amazônia, onde o uso de absorventes higiênicos é um luxo para poucos 

É uma questão pouco debatida porque costuma ficar oculta juntamente com a vergonha de meninas carentes que não sabem a quem recorrer. Infelizmente, a menstruação é um tabu dos mais antigos que já passou da hora de ser removido da sociedade. Mas aí está algo que só pode ser feito com a participação de todos: famílias, governos, escolas… um processo de educação que só trará resultados concretos no longo prazo. Por isso mesmo, deve começar o quanto antes.

O Mês da Mulher é uma oportunidade para fomentar o debate que deveria ocorrer ao longo de todo o ano. Desde ontem, há iniciativas pontuais em diversas cidades brasileiras expondo a problemática e promovendo a discussão do tema. Mas a mobilização não pode terminar junto com o mês de março. Ações concretas precisam ser adotadas para apoiar as jovens carentes, suas famílias e a sociedade com produtos, informação e educação.