Manaus sáb, 17 out
A Crítica
Opinião

Combate ao narcotráfico

Publicado em 23/01/2019 às 11h36 · Atualizado em 13/03/2022 às 20h50
Combate ao narcotráfico

Diversos fatores contribuíram nos últimos anos para o fortalecimento de organizações criminosas relacionadas ao narcotráfico. A atuação das autoridades na repressão a essas agremiações tem se concentrado em ações reativas que combatem as consequências do narcotráfico em vez das origens. Isso foi, inclusive, constatado no relatório elaborado pelo escritório do ex-prefeito de Nova Iorque, Rudolph Giuliani, em consultoria encomendada pelo Governo do Estado na gestão de Amazonino Mendes. 

Mas nem precisa ser especialista em segurança pública para saber que uma das linhas fundamentais de ação tem que ser a vigilância permanente das fronteiras, dificultando ao máximo a entrada das drogas que alimentam a disputa no crime organizado. O Exército Brasileiro vem fazendo sua parte, com a intensificação das vistorias nas embarcações que transitam pela região da Cabeça do Cachorro, onde fica a tríplice fronteira. Trata-se de uma ação preventiva que tem o objetivo de asfixiar o crime, interrompendo o transporte das drogas até a capital, de onde seguem para o restante do País. 

Os esforços do Exército são louváveis, mas a dimensão do problema exige uma mobilização ainda maior. A atuação das Forças Armadas na fronteira precisa de apoio, com recursos materiais e humanos. E mais que isso: com uma estratégia concreta e articulada com o governo estadual. É preciso que o governo federal, na linha do que foi proposto ao longo da campanha pela Presidência, trate a tríplice fronteira na Amazônia com prioridade no combate ao crime. É certo que o novo governo assumiu há menos de um mês e as equipes ainda estão tomando pé da situação. Mas, uma vez que na cúpula da segurança há pessoas que já atuaram na Amazônia e que têm profundo conhecimento da situação estratégica do noroeste do Estado, espera-se para o mais breve possível o anúncio de um pacote de medidas com objetivo de barrar a atividade de narcotraficantes na região. Indiretamente, serão atingidas as atividades  subsidiárias ao tráfico, como os constantes assaltos realizados para suprir a demanda dos grupos criminosos. Outras medidas serão necessárias, mas a atuação prioritária na Cabeça do Cachorro é um passo indispensável que não pode mais ser adiado.