Condução de estratégias pelo Amazonas
O Governo do Amazonas terá, a partir de janeiro, o desafio de assegurar o funcionamento regular da máquina administrativa e, ao mesmo tempo, articular parcerias estratégicas para promover internamente a tomada de decisões capazes de retirar o Estado de uma condição de fragilidade. O perfil desenhado em nível nacional não é favorável ao Amazonas, ao contrário, se confirmado, tende a aprofundar a crise econômico-social no âmbito estadual e regional.
Futuros ministros e interlocutores do Governo Federal têm deixado evidências do tipo de ação que desejam implantar no Brasil, com ampla participação do setor privado, redução de áreas protegidas na Amazônia e incentivo a projetos que envolvem a posse de terra para dela faz o uso que desejarem. Se esse modelo agrada um determinado perfil de investidores, também coloca o País numa trilha perigosa que tende a ampliar os conflitos, a violência e as mortes por disputa de terra, já elevados, e atinge diretamente a relação do Brasil com outros países que têm nessa pauta um posicionamento firme de vigilância deliberando ou não sobre acordos.
Os articuladores do governo estadual terão papel fundamental para organizar o trânsito em áreas delicadas e identificar caminhos que deverão ser seguidos na relação com o governo federal e governos internacionais. A questão do desenvolvimento no Amazonas passa, necessariamente, pela compreensão de como transformar alguns elementos fortes do Estado – a floresta, as águas, a diversidade étnica – em agentes promotores de desenvolvimento sustentável, o que exige superar uma percepção de que esse conjunto de riquezas é um problema. Agir por dentro desse sistema para fazer valer essa feição é uma tarefa dos interlocutores do governador Wilson Lima e dele próprio.
Sem o respeito a esses componentes, característicos do Amazonas e da Amazônia, o que restará à região será o saque dos bens e uma terra exaurida com populações sobrevivendo em precárias condições. A pressão sobre o Amazonas está sendo intensificada, com degradação ambiental em larga escala, fim do cinturão verde e submissão do Estado a modelos já praticados em outros Estados que não produzem qualidade de vida para a população, mas somente a determinados grupos que nesse sistema atuam. O Estado necessita de postos de trabalhos, de aprofundar a presença no interior, melhorar os sistemas de educação, saúde, transporte e moradia que respeitem as culturas e os povos abrigados no Amazonas.