Demora que custa vidas
Enquanto países como Alemanha, Bulgária e Portugal já têm cronogramas definidos para iniciar a vacinação contra a covid-19 ainda neste ano – no Reino Unido, a imunização está prevista para começar nesta terça-feira – o Brasil segue tratando o tema de maneira errática. Na América Latina, o País está comendo poeira na corrida pela vacina. México, Chile, Peru, Costa Rica e Equador juntos, já compraram 60 milhões de doses da vacina produzida pela americana Pfizer em parceria com a alemã Biontech. Por aqui, nenhuma vacina foi registrada pela Anvisa, e nem há prazos para isso.
Mesmo com várias vacinas em fase final de testes, e demonstrando eficácia superior a 90%, os brasileiros ainda não sabem qual produto será usado, muito menos quando a vacinação deve começar. O “plano preliminar” apresentado pelo Ministério da Saúde na semana passada – após muita pressão da sociedade – não estabelece datas.
As dimensões continentais do País, a logística complexa em regiões como a Amazônia e a grande população integram o conjunto de fatores que tornam a vacinação dos brasileiros um enorme desafio, de modo que o planejamento para tal já deveria estar bastante adiantado.
Governadores tomaram a iniciativa de propor ao Ministério da Saúde a adoção de múltiplas vacinas. O temor é que apenas um fabricante não tenha condições de atender a demanda do Brasil, que vai precisar de mais de 109 milhões de doses. O ministro da Saúde Eduardo Pazuello deve receber nesta manhã o presidente do Consórcio Nordeste e coordenador do tema da vacina no Fórum Nacional de Governadores, o governador do Piauí, Wellington Dias, para tratar do tema. A posição dos governadores é óbvia – vacina boa é aquela que funciona, não importa se é britânica, chinesa ou norte-americana. Politicagem, questões ideológicas e arroubos extremistas não devem interferir na escolha das vacinas.
A vacinação contra covid-19 precisa começar o quanto antes no Brasil. O tema precisa ser encarado com urgência absoluta. A superação da crise sanitária passa pela vacinação em massa da população. Apenas assim podemos pensar em uma retomada mais robusta da economia, amenizando os efeitos da recessão que já está se instalando. Em meio à demora, o País segue com a contagem de óbitos, que já ultrapassa 177 mil.