Manaus sex, 23 out
A Crítica
Opinião

Desempenho negativo da indústria

Publicado em 13/05/2019 às 11h31 · Atualizado em 13/03/2022 às 21h35
Desempenho negativo da indústria

O primeiro trimestre deste ano fechou com dados negativos para o setor industrial do Amazonas, de acordo com pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O recuo é significativo – 5% – e mostra nas ruas o resultado desse quadro, com milhares de pessoas em busca de emprego e outros tantos milhares em subatividades, os bicos, apresentados em última escala antes que a miséria seja a realidade de muitos.

A direção da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (FIEAM), atribui o resultado, como mostra matéria de A CRÍTICA, página A9, edição de 9 de maio, ao cenário político que o País vive. Leia-se as incertezas exacerbadas no âmbito nacional e internacional e medidas controvérsias tomadas pelo governo federal. Para o setor produtivo, o sinal é que tudo que ora está funcionando pode, amanhã, deixar de funcionar, assumir características de confrontos profundos e de supressão daquilo que estava sob garantia constitucional. A instabilidade política produzida pelas idas e vindas do governo federa gerou no setor empresarial, simpático ao novo governo porque previa a instalação do que considerava como mais liberalidade.

As mudanças feitas, até agora, não animaram o mercado e não produziram resultados positivos para o Brasil. O desemprego continua em crescimento, já se aproxima de 14 milhões de brasileiros desempregados; o volume de postos de trabalho abertos é menor que a necessidade da mão de obra colocada anualmente no mercado; e as alianças feitas pelo governo em nível internacional estão sendo consumidas pela fragilidade da própria economia internacional vivendo suas crises que, segundo analistas, tendem a crescer.

O desempenho negativo da indústria no Amazonas diz respeito diretamente ao Polo Industrial de Manaus (PIM). Mantida sob as pancadas nacionais a partir de setores estratégicos do próprio governo federal, como o Ministério da Economia, a Zona Franca de Manaus cumpre, até agora, o roteiro previsto pelo ministro Paulo Guedes: não irá mexer no essencial da estrutura do modelo ZFM, mas não deixará de tomar medidas para além da Zona Franca. O PIM tem enormes dificuldades para reagir positivamente e, ao mesmo ritmo, a população do Amazonas, com forte impacto em Manaus, sofre as consequências da tomada de decisões por parte dos governos. E esse sofrer é realmente de sofrimento profundo, aquele que falta comida na mesa.