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A Crítica
Opinião

Dignidade fundamental

Publicado em 23/06/2021 às 11h41 · Atualizado em 13/03/2022 às 19h16
Dignidade fundamental

Diferentes estudos apontam o avanço da pobreza no Brasil. Infelizmente, esse fenômeno é um dos efeitos danosos da pandemia de covid-19 e da ausência de políticas públicas adequadas em nível federal. A escalada do empobrecimento agrava situações constrangedoras relacionadas às privações a que inúmeras famílias são submetidas todos os dias. Um desses dramas silenciosos é o das meninas que, sem ter como comprar absorventes íntimos, faltam a aulas durante a menstruação. Casos assim são mais comuns do que se imagina. Segundo pesquisa realizada por uma fabricante de absorventes e divulgada recentemente, 25% das estudantes já perderam aulas por não ter condições financeiras para comprar absorventes, vendo-se obrigadas a ficar em casa.

As meninas são duplamente “punidas”; primeiro por serem pobres, segundo por serem mulheres. Com vergonha da própria condição, praticamente a metade prefere esconder o real motivo da falta às aulas. Somam-se a isso o preconceito e a desinformação, além do despreparo para lidar com situações assim, mesmo no ambiente escolar. Por esse motivo, o programa ‘Dignidade Menstrual’, anunciado ontem pelo governador Wilson Lima, demonstra necessária sensibilidade. Por meio da iniciativa, serão distribuídos absorventes higiênicos nas escolas públicas, com objetivo de dar suporte a adolescentes de baixa renda e reduzir a evasão escolar. A partir de agosto, serão atendidas pelo menos 50 mil estudantes, na capital e no interior, em idade menstrual, que se encontram em situação de vulnerabilidade social e extrema pobreza.

Além disso, o programa também aborda um outro aspecto bastante sensível. Haverá um trabalho de educação nas escolas a respeito da menstruação, tanto para as estudantes em processo de desenvolvimento quanto para os profissionais da educação. É incrível que, em pleno século XXI, o tema ainda seja um tabu nas salas de aula e nas próprias famílias. É inaceitável que menstruar seja até mesmo motivo de bullying. Por isso, meninos também serão envolvidos no programa. O objetivo é que a menstruação seja vista como o que realmente é: um processo natural que faz parte da vida, e que deve ser encarado com naturalidade por todos, sem tabus, preconceitos ou constrangimentos.