Manaus sáb, 17 out
A Crítica
Opinião

Educação e os confrontos de maio

Publicado em 02/06/2019 às 13h44 · Atualizado em 13/03/2022 às 21h39
Educação e os confrontos de maio

O mês de maio encerra com um cenário de confrontos na área educacional, não unicamente nela, mas é nela que resistem inúmeros indicadores de como o Governo Brasileiro investe no sentido de ampliar os conflitos da pior espécie e de estabelecer um tipo de obediência servil nas escolas e nas universidades. O País que deveria estar nesse exato momento tratando de questões realmente relevantes para a superação de problemas na educação faz o exercício contrário e aprofunda a crise.

Inicialmente, a nomeação de ministros da Educação com atitudes no mínimo incoerentes com o cargo e a responsabilidade que têm. Falastrões, afeitos a frases agressivas e desqualificadoras de estudantes, professores, técnico-administrativos. No mínimo, ministros mal-educados e, nesse tipo de atuação, o atual ministro insiste em ações que violam as regras de conduta dentro do Estado Democrático de Direito ao propor e incentivar o denuncismo tentando consolidar a imagem de que estudantes são massa de manobra, idiotas, e professores os manipuladores que os coagem. Se o professor-ministro da Educação brasileira tivesse lido um pouco mais sobre as revoltas estudantes em todo o mundo, em diferentes momentos da história, talvez, tivesse mais cuidado ao fazer determinadas declarações e usasse o seu tempo para trabalhar naquilo que deve ser trabalhado.

O ministro da Educação do Brasil deveria, desde o primeiro momento, ter se colocado em defesa da manutenção dos recursos financeiros das universidades; deveria ter demonstrado mais ação e menos inércia nas explicações e negociações para que esta área do governo fosse tratada de forma diferenciada em função da importância estratégia que possui. Ao contrário, disse sim imediato, demonstrou que está mais para atender às ordens presidenciais do que, como parte da equipe escolhida para ajudar o chefe a conduzir o governo ser criterioso, alertar para os riscos e buscar caminhos criativos para enfrentar obstáculos.

A forma desrespeitosa e policialesca com que o governo trata os que atuam na educação aponta para um rumo crítico e de mais confrontos se os assessores governamentais não conseguirem convencê-lo a mudar de tática. Depois das últimas declarações do ministro da Educação, só falta instalar o estado de sítio. Que o judiciário e o Congresso Nacional atuem firmemente para impedir tragédia maior e resguardar a democracia.