Manaus dom, 18 out
A Crítica
Opinião

Educação, ideias e imagem da causa

Publicado em 02/11/2020 às 11h38 · Atualizado em 13/03/2022 às 19h58
Educação, ideias e imagem da causa

Neste começo de novembro de 2020 os recortes das notícias apontam para a realidade mais exposta e, sim, a de maior vulnerabilidade. Desemprego, subemprego em explosão no Brasil e no mundo, elevação dos gastos públicos federais, a Covid-19 em retorno nas várias regiões do mundo, famílias abandonadas e o culto às condutas violentas, debochadas sob aplausos segue como moda.

Outros acontecimentos nesse mundo adoecido abrem janelas valiosas que poderão se constituir em portas. Uma delas é o trabalho de longas datas da educadora Lúcia Cristina Cortez de Barros Santos, diretora da escola “Prof. Waldir Garcia”, no bairro São Geraldo. É nesse espaço que a comunidade escolar gesta experiências de inclusão e de compartilhamento, descobre possibilidades, enfrenta os conflitos, as rejeições e avança no caminhar por uma ideia que, com a premiação da professora Cristina –“Educador Nota Dez” – passa a ser imagem a ocupar o imaginário de milhares de manauaras, de amazonenses, de tantos outros do Brasil e do mundo.

A escola e as práticas da educadora ganharam espaços da mídia pela ideia nascida de sonhos. O dela e de tantos outros que a professora, agora, representa, é porta-voz e guardiã. Uma escola disposta a superar problemas sérios, a fazer da escuta procedimento naturalizado e, no momento em que uma política nacional de educação coloca a separação de crianças como modelo opcional, insistir na inclusão, na convivência dos diferentes e na descoberta do valor de conhecer os outros, desde a primeira infância, diferentes.

Ideias quando transformadas em imagens são valores fortes. Por isso, que neste novembro seja celebrada a imagem da escola e da educadora premiadas, expressão de trabalho coletivo em torno da utopia que faz a educação e educadores seguirem adiante, perceber em terras supostamente áridas lugares para a semeadura. O bairro, a escola que existe porque existem estudantes, professores, equipes de apoio são motivos de comemoração a esta cidade que acaba de receber um dos seus melhores presentes de aniversário de 351 anos, exatamente a premiação por um feito na educação. Nela, outra utopia está sendo tecida por outras escolas numa espécie de movimento saudável e forte para que mais escolas em Manaus e no Amazonas sejam parte da cultura da educação que gera autonomia, leitura crítica de mundo e cidadãos desde a primeira idade. É um sonho pelo qual vale sonhar e realizar.