Manaus ter, 3 nov
A Crítica
Opinião

Educar para preservar: quando a inovação se torna aliada da sustentabilidade

Falar sobre sustentabilidade deixou de ser uma opção. Tornou-se uma necessidade

Publicado em 05/06/2026 às 09h44
Educar para preservar: quando a inovação se torna aliada da sustentabilidade

Em um mundo cada vez mais impactado pelas mudanças climáticas e pelos desafios ambientais, falar sobre sustentabilidade deixou de ser uma opção. Tornou-se uma necessidade. Mas acredito que a verdadeira transformação não começa apenas nas grandes decisões governamentais ou nos avanços tecnológicos. Ela começa na educação.

Como educador, tenho observado uma mudança significativa na forma como as novas gerações enxergam o mundo. Os estudantes já não querem apenas aprender conceitos; eles desejam compreender problemas reais e participar da construção de soluções. É justamente nesse contexto que a cultura maker ganha força.

Quando uma criança transforma materiais reutilizáveis em um projeto de robótica, quando um grupo de alunos desenvolve soluções para problemas da comunidade ou quando a tecnologia é utilizada para compreender questões ambientais, estamos indo muito além do conteúdo curricular. Estamos formando cidadãos conscientes, criativos e comprometidos com o futuro.

Muitas vezes existe a falsa ideia de que tecnologia e sustentabilidade caminham em direções opostas. Na prática, acontece exatamente o contrário. A inovação tem sido uma das principais ferramentas para enfrentar desafios ambientais. Da inteligência artificial ao monitoramento de recursos naturais, das energias renováveis às soluções educacionais, a tecnologia pode contribuir para uma relação mais equilibrada entre desenvolvimento e preservação.

Na Amazônia, essa discussão possui um significado ainda mais profundo. Vivemos em uma região que desperta o interesse do mundo inteiro por sua biodiversidade e importância ambiental. Entretanto, preservar a floresta também passa por investir em educação, ciência, pesquisa e inovação. Não existe sustentabilidade sem conhecimento.

Precisamos preparar nossos estudantes para compreender que cuidar do meio ambiente não significa apenas preservar aquilo que existe hoje, mas também criar alternativas para o amanhã. Isso exige pensamento crítico, criatividade, colaboração e a capacidade de utilizar a tecnologia de forma ética e responsável.

Ao longo da minha trajetória na educação, tenho aprendido que os melhores projetos são aqueles que conectam aprendizagem e propósito. Quando os alunos percebem que podem usar seus conhecimentos para melhorar a própria comunidade, o aprendizado ganha significado. E quando a escola promove experiências que unem inovação, responsabilidade social e consciência ambiental, ela cumpre uma das suas mais importantes missões: formar agentes de transformação.

Neste Dia Mundial do Meio Ambiente, acredito que a reflexão mais importante seja esta: o futuro sustentável que desejamos não será construído apenas por máquinas, pesquisas ou políticas públicas. Ele será construído, principalmente, pelas pessoas que estamos formando hoje dentro das nossas escolas. E talvez não exista investimento mais importante para o planeta do que educar uma geração capaz de inovar sem esquecer de preservar. 

Jhony Abreu é pedagogo, especialista em inovação e tecnologias educacionais, empresário da educação e defensor de uma educação transformadora conectada aos desafios do século XXI.