Eleições sem Lula
A retirada do ex-presidente Lula da disputa eleitoral deste ano já era esperada – e foi recebida com disfarçado alívio – até mesmo pelo próprio PT. A insistência do partido em manter a candidatura do ex-presidente num cenário em que a rejeição por parte do Tribunal Superior Eleitoral era apenas uma questão de tempo se explica pelo fato de que a legenda não queria abrir mão de capitalizar política e monetariamente sobre sua maior – e única – estrela. Agora, o partido pode seguir para a campanha, tendo Fernando Haddad como candidato à Presidência e Manuela D`Ávila como vice.
Reforçam também a bandeira “Lula Livre”, podem dizer que não desistiram de Lula, que teria sido alijado das eleições como parte do “golpe” orquestrado pelas mesmas forças que teriam afastado Dilma. Isso, aliás, não é verdade. Pelo menos, não a parte que se refere a Lula. Quanto a Dilma, há sérias controvérsias.
Independentemente da condenação pelo caso tríplex ter sido justa ou injusta, Lula foi condenado em segunda instância e, portanto, enquadrado na Lei da Ficha limpa, a mesma lei que impediu inúmeros conhecidos corruptos de voltar à vida pública, inclusive no Amazonas. Tal lei, como ressaltaram todos os ministros do TSE, até mesmo o único que votou a favor de Lula, representa um grande avanço para o País e que não pode retroceder.
Muitos questionam que o TSE demorou muito para agir, que diante da claramente manifesta condição de ficha suja, Lula deveria ter sido impedido de dar até mesmo os primeiros passos na campanha. Realmente, se o TSE agisse de ofício e barrasse a candidatura lulista no nascedouro, certa confusão seria evitada, no entanto, é quase unanimidade entre juristas que a Justiça deve agir apenas quando provocada, afinal, ela é “cega”, ou pelo menos, deveria ser.
O fato é que a controvérsia a respeito de Lula parece estar finalmente superada. A corrida pela Presidência pode finalmente contar com um cenário mais claro. Bolsonaro perde aquele que era, ao mesmo tempo, seu maior rival e uma de suas fontes de força; afinal, o desprezo pela esquerda encarnada em Lula é um dos motivos que leva muitos a abraçar cegamente a candidatura do ex-capitão. Sem Lula, uma parte significativa de seus eleitores estará à deriva, um contingente gigantesco de eleitores capaz de decidir o resultado das urnas.