Em cem dias
O prazo de cem dias dos governos federal e estaduais se completou e não há, nas administrações, motivos para esbanjar em comemoração sobre os feitos realizados. Na maioria dos governos que assumiram em 1º de janeiro o tempo é de dificuldades com tendência de aumentar em função dos indicadores econômico-financeiros e suas consequências sociais e políticas em todo o mundo. No Brasil, subida da taxa inflacionária, permanência de queda nos postos de trabalho e salários em permanente processo de achatamento.
No Governo Federal, os desentendimentos entre o presidente do País e o presidente da Câmara dos Deputados, a postura de parte do corpo ministerial que por meio de declarações polêmicas e medidas desastrosas alimentaram o clima de confronto e de desmonte de programas vitais para assegurar determinadas demandas sociais provocaram atrasos. Questões fundamentais que tratam da função desses ministérios foram deixadas de lado produzindo paralisia em programas e projetos. Cem dias depois, o que mais se ouve são perguntas sobre quais medidas positivas foram tomadas pelos governos federal e estadual. Por mais esforço que seja feito, a população quando questionada não consegue apontar uma ação positiva, e sim preocupação o amanhã.
Peças publicitárias são lançadas como forma de responder e apresentar o balanço de cem dias, não conseguem sair de uma formulação frágil de sustentar ações que sequer saíram do papel. É delicada a situação estadual e nacional e o que se apresenta é como se essa condição não existisse, fosse obra atribuída a opositores. O drama está nas ruas, bate às portas das casas, dos órgãos governamentais enquanto bravatas estão sendo executadas como resposta. Fome, subemprego, desemprego, saúde esfacelada e violência, aumento do custo de vida não são ilusão e se essas questões não forem tratadas com a atenção que deveriam receber, muito longe dos efeitos publicitários apresentados como resposta dos cem dias, as explosões dos segmentos sociais poderão causar situações incontroláveis. A estatística apresentada por diferentes fontes sobre a degradação social que o País e o Amazonas está sendo submetido deveria ser considerada e funcionar como um alerta para que os recursos públicos não sejam gastos com respostas tão precárias à sociedade. O ritmo é tocado por notas de desajuste e reconhece-lo seria passo importante na tomada de posição para enfrentar o que está aí e o que virá pela frente nos próximos cem dias.