Manaus sáb, 17 out
A Crítica
Opinião

Espiral Global ameaça futuro

Menos de 0,001% da população mundial concentra três vezes mais riqueza do que os 50% mais pobres

Publicado em 11/12/2025 às 09h01
Espiral Global ameaça futuro
Foto: Agência Brasil

A publicação do “World Inequality Report 2026” revela com nitidez a espiral global da concentração de riqueza: os 10% mais ricos acumulam cerca de 75% de toda a riqueza mundial, enquanto a metade mais pobre da população global detém apenas 2%. Pior: menos de 0,001% da população mundial concentra três vezes mais riqueza do que os 50% mais pobres.

Esses dados alarmantes escancaram que a desigualdade extrema não é uma anomalia passageira, mas sim condição estrutural que ameaça a estabilidade social, econômica e democrática. E quando olhamos para o Brasil, o retrato não é menos contundente. Apesar de alguns indicadores recentes apontarem melhoras, a desigualdade permanece entre as mais elevadas do mundo.

A menção do relatório às “reservas” crescentes nas mãos da elite brasileira indica que, mesmo em meio a recuos pontuais, o acúmulo de riqueza e renda continua profundamente assimétrico. Dados oficiais sugerem um progresso no país, mas as melhorias pontuais na renda do brasileiro não bastam: o fosso estrutural entre riqueza e pobreza continua profundo. Estudos como os do WIR mostram que a desigualdade de riqueza, e não apenas de renda, segue concentrada, e é sobre riqueza acumulada (ativos, patrimônio, capital) que se edifica o poder real, as oportunidades desiguais, a persistência da pobreza intergeracional.

A importância de reduzir essa distância entre ricos e pobres ultrapassa a retórica moral da justiça social. Trata-se de um imperativo econômico e institucional. Países com enormes desigualdades tendem a registrar menor mobilidade social, fragilidade na coesão social, fragilidade das instituições democráticas e vulnerabilidades maiores a crises econômicas, sociais e ambientais. O próprio WIR sugere que a manutenção de desigualdades extremas mina a sustentabilidade de economias e sociedades.

No Brasil, apostar na diminuição da desigualdade significa investir em desenvolvimento humano de forma estratégica e inclusiva. Significa garantir que o ascenso econômico alcançado nos últimos anos –expressado no aumento da renda domiciliar e na queda da pobreza – se transforme em oportunidades duradouras: educação de qualidade, saúde, mobilidade social, estabilidade e dignidade para parcelas historicamente marginalizadas.