Expectativas na Suframa
Um novo superintendente assume o comando da Zona Franca de Manaus com um discurso muito semelhante ao que já foi dito por antecessores recentes. É fato que a autarquia, a despeito de ser uma das mais relevantes para a economia do Estado, tem sido tratada segundo critérios muito mais políticos do que técnicos nos últimos anos. O resultado é uma paralisia que preocupa o empresariado local, ainda mais diante da crise econômica que já se instalou no País. Todos esperam que a gestão de Algacir Polsin represente uma guinada positiva para a Zona Franca.
Espera-se que o foco do novo gestor não seja direcionado principalmente a uma futura carreira política, o que poderia prejudicar a atuação eficaz sobre questões do presente e que são de fundamental relevância para o modelo. Nesse rol podemos citar aspectos mais estratégicos, como o fortalecimento do polo dentro da conjuntura econômica nacional. E nesse ponto, vale ressaltar que a Zona Franca há muito vem sofrendo com sucessivos ataques que partem do próprio governo federal por meio da edição de medidas que reduzem a competitividade dos produtos aqui fabricados. Outro desafio, esse de caráter mais regional, é resgatar a relevância da Zona Franca dentro de sua área de abrangência. Um bom começo seria a retomada das ações de interiorização, por meio de projetos estruturantes desenvolvidos pela Suframa em parceria com governos e prefeituras da Amazônia Ocidental e da Área de Livre Comércio de Macapá e Santana, no Amapá.
São desafios que não podem ser enfrentados com individualismo, trancado no gabinete da superintendência; tampouco por meio do Twitter e demais redes sociais. É essencial a interlocução com os atores que integram a Zona Franca: setor produtivo, trabalhadores e agentes políticos. Sem união e convergência de atuação, o fracasso é certo.
Logo na posse, o novo superintendente mostrou que está a par das necessidades urgentes do modelo, como a diversificação da base produtiva, sobretudo com o aproveitamento da biodiversidade amazônica, citando o papel do Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA), cujo potencial nunca foi plenamente explorado por entraves burocráticos. O Amazonas espera que a Zona Franca esteja, finalmente, entrando em uma fase mais produtiva e promissora.