Fim da novela e novo começo
O CBA abandona a nomenclatura "Centro de Biotecnologia" e passa a ser "Centro de Bionegócios", resgatando a ideia original de quando fora concebido
Após mais de 20 anos, finalmente, o Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA), poderá cumprir sua missão institucional, uma vez que já conta com personalidade jurídica própria. Pelo menos, é o que se espera. Afinal, o “destravamento” do CBA já foi anunciado diversas vezes ao longo de duas décadas. Toda essa demora é resultado da série de equívocos que nasceu junto com o projeto. Concebido na gestão do então presidente Fernando Henrique Cardoso, o CBA foi criado para ser um elo entre a pesquisa sobre os potenciais da biodiversidade e o mercado, desenvolvendo produtos e soluções com vistas ao aproveitamento econômico. A ideia, em si, é maravilhosa.
O problema é que ninguém havia definido como seria a gestão do empreendimento, a que Ministério estaria subordinado, de onde viriam os recursos orçamentários. A obra foi concluída e o CBA foi inaugurado em 2002, mesmo sem estar com todos os laboratórios plenamente instalados, um prédio majestoso no Distrito Industrial de Manaus que, por não ter como operar adequadamente pela falta de um modelo de gestão, chegou a ser chamado de “anta branca” pelo próprio secretário-executivo de Ciência e Tecnologia, já no primeiro governo de Lula.
Depois disso, o CBA já esteve envolvido em muita bagunça. Já foi até um departamento do Inmetro no governo de Michel Temer. O caso parecia resolvido no início do governo Bolsonaro, quando uma Organização Social formada por instituições amazonenses venceu a disputa para gerir o órgão. Mas o então presidente reprovou a solução e tudo voltou à estaca zero. Finalmente, o contrato de gestão assinado ontem pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, instituiu um modelo bem semelhante ao rejeitado no governo anterior.
O CBA abandona a nomenclatura “Centro de Biotecnologia” e passa a ser “Centro de Bionegócios”, resgatando a ideia original de quando fora concebido. Um momento histórico para o Amazonas e que pode marcar o início de uma nova e próspera fase, especialmente agora, quando a reforma tributária renova a urgência pelo aproveitamento dos bionegócios. Pelo menos essa parte da novela, tudo indica, já acabou. Vamos, agora, trabalhar por um final feliz. O CBA tem orçamento e metas a cumprir. Chegou a hora da “anta branca” se transformar em onça, e das mais velozes.