Fim da polêmica?
A polêmica em torno do voto impresso já nasceu vazia, servindo apenas para tumultuar ainda mais a combalida relação entre os Poderes da República. O sistema eletrônico de votação vem se aprimorando há 25 anos e foi concebido justamente para evitar fraudes em eleições. A urna eletrônica não só é auditável como oferece diversos recursos que fortalecem a possibilidade de auditagem. Ou seja, é muito mais auditável que o antigo voto impresso depositado fisicamente. O Judiciário já tinha se posicionado contra a alteração no sistema de votação, sobretudo em face das alegações sabidamente falsas contra a segurança das urnas eletrônicas. Ontem foi a vez da Câmara dos Deputados manifestar sua posição.
O resultado da votação no plenário – com derrota acachapante sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que ressuscitaria o voto impresso – já era esperado. Ressalte-se que, mesmo exibindo elevado grau de segurança, nunca é demais acrescentar novos mecanismos para ampliar ainda mais a confiabilidade dos equipamentos. E a Justiça Eleitoral se debruça sobre isso continuamente. Mas o upgrade é feito em face da natural necessidade de atualização. As alterações não podem ser motivadas pela disseminação de mentiras que tentam lançar dúvidas sobre o sistema eleitoral. Uma mudança como a que era pretendida por meio da PEC acarretaria despesa bilionária e desnecessária.
A proposta, que já fora derrotada em comissão especial, nem precisaria ir ao plenário. A decisão de colocar a matéria em votação foi tomada para aumentar o tamanho e o peso da pedra que se espera colocar sobre o assunto, dando algum alívio na animosidade entre os Poderes e virando de vez essa página. Seria ótimo se fosse assim, e os Poderes da República, cada um segundo sua própria competência, pudessem concentrar esforços harmonicamente para resolver problemas prementes como o avanço da pobreza, a crise econômica e a crise hídrica, apenas para citar algumas de nossas agruras.
O País já vive um período especialmente difícil. Não precisamos de mais tumulto, mas de estabilidade e união para enfrentar as dificuldades. Infelizmente, tudo indica que o assunto continuará recorrente entre teóricos da conspiração, insuflados pela retórica presidencial.