Manaus sáb, 17 out
A Crítica
Opinião

Fim do recesso nos poderes

Publicado em 30/01/2019 às 10h27 · Atualizado em 13/03/2022 às 20h49
Fim do recesso nos poderes

No dia 1º, o Congresso Nacional e o Judiciário retomam as atividades regulamentares deste ano. Questões centrais, em negociação em tempo de recesso, volta à cena para situar a sociedade brasileira sobre como serão recepcionadas tanto no Poder Legislativo, com sua base renovada, quanto no Judiciário. São temas de importância para a vida da população brasileira e do governo federal, tais como a reforma da Previdência e a denúncia envolvendo o motorista do agora senador Flávio Bolsonaro, com repercussão direta na atuação do próprio parlamentar.

Essas entre outras questões tornaram-se nesse tempo de recesso balizadores de peso na relação governamental com os demais poderes. A renúncia do deputado federal Jean Wyllys (PSL) acompanhada da exposição de ameaças de morte que o levam a deixar o país não pode ser interpretada como um caso isolado, de menor relevância e recepcionada pela ironia e chacota. É uma declaração de parlamentar está no seu terceiro mandato e deixa evidente a sensação de insegurança e de pouca importância na segurança da vida dele. Se, neste caso, há exagero, como indicam outros parlamentares, que o Estado brasileiro se pronuncie e assegure a vida de Wyllys, o que até então não ocorreu, ao contrário, nas redes sociais, autoridades públicas se pronunciaram de forma vergonhosa, nada republicana.

No Supremo Tribunal Federal (STF), caberá ao ministro Marco Aurélio de Mello uma posição a respeito do pedido de suspensão de investigação do caso dos depósitos feitos na conta bancária do ex-motorista do senador, Fabricio Queiroz. A situação de Flávio Bolsonaro aparece enredada cada vez mais na medida em que relações com assessores expõem, no mínimo, comportamento que contraria completamente a conduta de funcionário público.

No Congresso Nacional, a proposta de reforma da Previdência será o grande teste do presidente Jair Bolsonaro e de sua equipe no que diz respeito a negociação para obter o número de votos necessários à aprovação do projeto de reforma. Esta é uma proposta cercada de dúvidas e vista com desconfiança pela população. Os argumentos de que a reforma é urgente e necessária tornam-se frágeis diante de indicações de setores que deverão ser poupados pelo governo, o que soa como tratamento desigual e arrocho aos que estão fora do arco de proteção do governo.