Manaus sáb, 17 out
A Crítica
Opinião

Fiscalizar é dever de todos

Publicado em 13/08/2018 às 11h14 · Atualizado em 13/03/2022 às 23h03
Fiscalizar é dever de todos

Historicamente, os períodos eleitorais são marcados por práticas abusivas por parte dos candidatos. Os problemas vão de faltas triviais como propaganda antecipada a questões mais sérias como a compra de votos. A fiscalização de tais práticas é responsabilidade de cada cidadão. Para isso, há ferramentas online disponibilizadas pelo Ministério Público Eleitoral e pelo Tribunal Superior Eleitoral.

Qualquer pessoa, diante de um ilícito eleitoral, pode usar, por exemplo, o aplicativo Pardal, do TSE para fazer a denúncia, que também pode ser feita diretamente no site do Tribunal. Os processos contra os candidatos podem ser acompanhadas em tempo real com a ferramenta “Radar Eleições 2018”, do MP Eleitoral. O eleitor precisa ter em mente que o caráter do seu candidato estará refletido no tipo de campanha que ele promove.

Um candidato que busca votos oferecendo dinheiro, bens ou serviços aos eleitores é um criminoso que, certamente, busca ser eleito visando apenas benefícios para si mesmo. O candidato que emporcalha a cidade com seu material de campanha não mostra respeito pelas pessoas e manterá essa postura se for eleito. Além de escolher bem, o eleitor pode e deve ajudar na fiscalização dos candidatos.

Não se pode mais admitir a compra de votos, a negociação do sufrágio por dentaduras em bacias, cestas básicas, consultas médicas, promessas de empregos, ou qualquer outra coisa. A pessoa que aceita dar seu voto em troca de tais facilidades abre mão da própria cidadania e contribui para a perpetuação de maus políticos.

O apelo do MP Eleitoral para que as pessoas ajudem na fiscalização das eleições não deveria ser necessário. Isso é algo que os eleitores deveriam fazer espontaneamente. Mas, infelizmente, de modo geral, a sociedade brasileira ainda carece de consciência política. Desde cedo, os estudantes deveriam ser ensinados sobre o funcionamento da democracia, o papel dos parlamentos, a divisão de poderes, a importância do voto. Por incrível que pareça, esses temas estão sendo transformados em tabus. Chegamos ao ponto absurdo em que um professor, se falar de política em sala de aula, pode ser acusado de fazer doutrinação. Esse quadro precisa ser rediscutido para que o País não tenha no futuro próximo uma geração de analfabetos políticos em grau muito maior que a geração atual.