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A Crítica
Opinião

Focos de queimadas e a exigência de superação

Nos últimos dias, a cidade de Manaus tem amanhecido coberta de calor e, com a fumaça mais densa, os problemas se intensificam com repercussão direta na saúde dos moradores

Publicado em 09/09/2023 às 10h42
Focos de queimadas e a exigência de superação
Foto: Junio Matos

A quantidade de focos de queimadas no
Amazonas, principalmente no Sul do Estado, mostra a dificuldade interna para mudar um comportamento que provoca prejuízos para todos e na maioria das cidades amazonenses. São mais de 1.4 mil focos registrados nessa região, nos primeiros dias de setembro, de acordo com dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Nos últimos dias, a cidade de Manaus tem amanhecido coberta de calor e, com a fumaça mais densa, os problemas se intensificam com repercussão direta na saúde dos moradores, maior número de pessoas adoecidas e, em casos mais acentuados, na suspensão de atividades, do serviço aéreo.

A fumaça não tem fronteira. Ao se espalhar para além dos lugares com focos de queimadas faz com que sejam agravadas as condições de vida, principalmente de idosos e crianças ou de pessoas com cormobidade. Nas áreas queimadas, os riscos são ampliados porque podem ultrapassar os limites da área sob fogo e afetam em níveis elevados a flora e a fauna.

As campanhas nacionais e locais para evitar as queimadas não conseguem efeitos de sensibilização mais satisfatórios. Mesmo consideradas crimes ambientais, essas ações
permanecem como prática intensa no interior do país. E no meio urbano, mesmo com algum nível e meios de fiscalização mais intensos, o problema segue em larga escala como ora pode ser constatado em Manaus que sofre tanto pela fumaça oriundas de outras grandes queimadas quanto pelos focos locais.

A campanha Manaus sem fumaça, da Prefeitura Municipal de Manaus, é uma iniciativa positiva que precisa ser ampliada e se fazer presente nos diferentes espaços, de maneira antecipada e com mais recursos artísticos a fim de envolver e sensibilizar o maior número possível da sociedade manauara.

Atear fogo em lixo ou folhas secas – compreendidas por muitos como lixo – é um hábito que precisa ser superado. Em tempo de temperatura mais elevada, como acontece agora, queimar o lixo de quintais poderá vir a se tornar uma situação grave que escape ao controle.

A realidade, de agonia e adoecimento, não conseguiu influenciar decisivamente na mudança de conduta. O desafio é seguir adiante em campanhas criativas que demonstrem os efeitos de punição da legislação e, ao mesmo tempo, promovam novas atitudes dos que cometem o crime e dos que são vítimas dele.