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A Crítica
Opinião

Fogo, fumaça e mais pessoas doentes

A recomendação mais geral de profissionais da área da saúde é para evitar inalar a fumaça em esforço de proteção para diminuir riscos.

Publicado em 27/08/2024 às 08h42
Fogo, fumaça e mais pessoas doentes
Foto: Junio Matos

A segunda-feira (26) somou como mais um dia de céu encoberto e de agravamento dos problemas de saúde. Os idosos, crianças e pacientes portadores de alergias, como renite e sinusite. A recomendação mais geral de profissionais da área da saúde é para  evitar inalar a fumaça em esforço de proteção para diminuir riscos.

As imagens capturadas sobre o avanço da fumaça em pelo menos nove estados brasileiros demonstram que a proteção está cada vez mais difícil. O fogo avança e com ele os danos tanto de perdas de vidas não humanas quanto da qualidade do ar. O país está em caminhada acelerada de ataque à Natureza e paradoxalmente parcela da população cobra providências porque se sente vítima embora não se sinta  disposta a ser parte do enfrentamento do problema.

Para a outra parcela, o uso do fogo é o recurso normal à manutenção dos seus negócios sejam eles quais forem. Uma rede de pessoas e de grupos está conseguindo, até agora, manter as queimadas ignorando a legislação ou aproveitando-se de dados que expõem a dificuldade da prevenção e do combate por falta de recursos humanos, tecnológicos e financeiros para essa área.

Onde a fumaça chega, como capitais que não têm ou não tinham esse tipo de ocorrência, o assunto repercute. Para aquela população que há anos vive o caos provocado pela fumaça oriunda de queimadas a sensação é pouca importância com o drama e, mesmo os mais vulneráveis acabam por aceitar conviver com essa realidade por entender que não tem saída ou é “assim mesmo”.

O cenário atual agride, adoece e mata. Torna as pessoas mais irritadiças, estimula condutas violentas considerando que é mais um problema a ser somado a outros na história de vida de cada um. A automedicação tem sido a saída de muitas pessoas que precisam manter as suas atividades e estão acometidas de irritação nos olhos, tosse, nariz entupido, insônia, dor de cabeça. 

O que fazer diante desses sintomas? A resposta é automedicação para aliviar o mal-estar e se submeter a riscos que podem gerar danos mais graves à saúde. Ou seja, o fogo que espalha a fumaça adoece e ameaça aprofundar adoecimentos. A cadeia posta em ação é deplorável e perversa.