Manaus sáb, 17 out
A Crítica
Opinião

Gestão com responsabilidade

Publicado em 19/11/2018 às 10h26 · Atualizado em 13/03/2022 às 20h55
Gestão com responsabilidade

A falta de planejamento e mesmo de foco por parte de um governo pode resultar em danos severos para o erário público e para a população. Um triste exemplo disso é a Cidade Universitária, da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), projeto localizado no município de Iranduba. A obra já consumiu R$ 92,1 milhões, mas está paralisada.

Como um projeto tão vultoso, orçado em mais de R$ 300 milhões, começou a ser erguido sem que se considerassem todos os fatores envolvidos, como as questões financeira – de onde virá o dinheiro? -, ambiental e até mesmo a opinião da comunidade universitária? A obra começou com vento em popa em 2012. Dois anos depois, já deveria ter ocorrido a inauguração da nova reitoria e dos prédios de Ciências da Saúde, Ciências Sociais e de Tecnologia, o que não aconteceu.

Só então o governo do Estado, em suas diversas configurações desde 2012 – gestões de Omar Aziz, José Melo, David Almeida, e atualmente, Amazonino Mendes – percebeu que o projeto requer muito dinheiro, enquanto há outras áreas da gestão estadual que carecem de investimentos prioritários. Resultado: obras paralisadas e risco iminente de que nem venham a ser retomadas. E os R$ 92,1 milhões que já foram gastos até agora? Eis o dilema que cairá no colo do governador eleito, Wilson Lima, a partir de janeiro do próximo ano.

Questionado a respeito, um sinal de ponderação: ele pretende realizar uma consulta à comunidade acadêmica da UEA – principal interessada no projeto – para decidir que atitude tomar em relação ao projeto.

Situações como essas acontecem sempre que o planejamento  de grandes projetos é falho ou atende, na verdade, a outros objetivos que não sejam o interesse público. É notória a corrida que houve por parte de investidores em adquirir terrenos em Iranduba, nas proximidades da então futura Cidade Universitária, pensando na grande valorização que os imóveis teriam com a implantação da obra. Tais investidores, atualmente, estão, no mínimo, desapontados.

O fato é que um investimento gigantesco já foi feito e não se pode simplesmente permitir que todo esse dinheiro vá embora pelo ralo. Cabe ao próximo governador encontrar uma solução: ou a Cidade Universitária é concluída, ou a estrutura que já está pronta é adaptada para uma nova finalidade. Vamos esperar que seja tomada a decisão mais equilibrada e benéfica para o Estado.