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A Crítica
Opinião

Há espaço para o otimismo

Pesquisa da Confederação Nacional do Comércio (CNC) mostra que mais de 78% das famílias brasileiras estão endividadas, sendo que 29% têm dívidas em atraso

Publicado em 07/06/2023 às 11h01
Há espaço para o otimismo
Foto: Agência Brasil

O Programa Desenrola Brasil, criado por medida provisória pelo governo federal, ataca um dos principais problemas dos brasileiros na atualidade: o endividamento. Pesquisa da Confederação Nacional do Comércio (CNC) mostra que mais de 78% das famílias brasileiras estão endividadas, sendo que 29% têm dívidas em atraso, ou seja, estão inadimplentes.

O novo programa cria condições para que credores e devedores possam sentar-se à mesa para negociar soluções. Os credores terão que oferecer descontos, e os devedores contarão com crédito bancário para quitar a dívida, sair dos cadastros de inadimplência e voltar a ser consumidores ativos. O governo entra com desoneração de IOF das operações e garantia de que os credores receberão seus pagamentos. Só quem está devendo e não tem como pagar sabe do alívio que é poder quitar suas dívidas e livrar-se do peso que ter o nome sujo representa. 

Os detalhes mais específicos sobre o funcionamento do programa federal ainda serão anunciados, mas a iniciativa se une ao programa de carros populares como parte da ofensiva do governo para dinamizar a economia. As primeiras sinalizações são positivas.

As montadoras já recalcularam suas tabelas de preços e os cortes já ultrapassam R$ 10 mil para alguns modelos. A produção será aquecida, prevendo aumento de demanda, movimentando as engrenagens da economia. Soma-se a isso a melhora nas projeções para o PIB nacional, que passou de 1,26% para 1,68% neste ano. A mudança na projeção aconteceu após o anúncio do PIB do primeiro trimestre, que avançou 1,9% em relação ao trimestre anterior.

Com essa movimentação, o pessimismo inicial do empresariado tende a ser atenuado nas próximas semanas, sobretudo diante da expectativa de uma possível interrupção na escalada dos juros. Contudo, é certo que o Banco Central apenas reduzirá a Selic se dados técnicos indicarem recuo real da inflação, conforme tem destacado o presidente do BC, Roberto Campos Neto. A boa notícia é que, embora em ritmo lento, a tendência que se verifica na inflação já é de queda, o que será acentuado em breve com o corte nos preços dos veículos novos.

Enfim, embora o cenário geral ainda não seja dos melhores, os motivos para manter o otimismo são cada vez mais concretos.