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A Crítica
Opinião

Horário eleitoral pede mais atenção

O efeito pedagógico da campanha eleitoral é difícil de ser mensurado. As ideias são banalizadas, a superficialidade no trato dos problemas do município prolifera e a violência é ressaltada como meio de conquistar votos

Publicado em 10/09/2024 às 08h57
Horário eleitoral pede mais atenção
Foto: Agência Brasil

Diante dos desafios que as cidades apresentam e, de maneira particular, as cidades da Amazônia, os primeiros movimentos das campanhas eleitorais para os cargos de prefeito e de vereadores apresentam desconhecimento e distanciamento das questões centrais dos municípios.

A campanha em busca do voto do eleitorado está, em geral, viciada, presa a um modelo ultrapassado e aos efeitos do controle de grupos. As diferentes plataformas, anunciadas como um novo e promissor tempo para a liberdade de expressão e democratização das informações, abrigam manejos perigosos – sem ignorar o espaço de bom uso – que fazem exatamente o contrário da promessa feita com o advento da internet e das redes sociais. Os cortes de falas e as falas confeccionadas para uso e compartilhamento nas redes tornaram-se uma mania e aprofundam o fictício como se real  fosse.

Faltam propostas que envolvam de fato a administração e a legislação no município. Um colorido faz de conta sob efeitos especiais que não conseguiram até agora vencer a repetição. Vereadores têm uma das tarefas mais importantes na vida da cidade, são os olhos que podem ver o que está perto e o que está mais longe, sentir a qualidade de vida na cidade expressa no transporte coletivo, na educação, na saúde, na cultura, na segurança pública e todos esses indicadores interligados à natureza. E são responsáveis por monitorar o executivo, propor leis, fazer denúncias embasadas diante de atos indevidos do prefeito.

Os eixos estruturantes da cidade deveriam ser uma das lições de candidatos à prefeitura e à Câmara Municipal. E objetos de apresentação nas campanhas: o que temos, o que funciona, o que propomos, por que propomos e como será feito são algumas das questões que eleitores e a sociedade poderiam dispor nos horários eleitorais para tomarem a decisão sobre em quem votar.

O efeito pedagógico da campanha eleitoral é difícil de ser mensurado. As ideias são banalizadas, a superficialidade no trato dos problemas do município prolifera e a violência é ressaltada como meio de conquistar votos. “Comigo vagabundo é na bala”, diz o slogan de alguns candidatos que talvez tenham sido treinados em grupo para repetir a pregação. 
Quais candidatos estão, de fato, utilizando o espaço do horário eleitoral para submeter ao público uma  proposta ao desenvolvimento da cidade e superação de problemas graves que a maioria dos municípios vive?