Manaus dom, 18 out
A Crítica
Opinião

Impacto no bolso

Publicado em 30/06/2021 às 11h52 · Atualizado em 13/03/2022 às 19h38
Impacto no bolso

Nas últimas semanas muito se tem falado a respeito da crise hídrica, causada por uma das maiores secas em cem anos. Até agora, para o brasileiro médio, principalmente no Norte do País, o tema é apenas mais uma manchete negativa no noticiário, principalmente considerando que a tal “seca” ainda não deu as caras por aqui, muito pelo contrário. Esse cenário está prestes a mudar. Com o recente reajuste na bandeira vermelha, a conta de luz deve ficar, em média, 5,5% mais cara já no mês de julho para famílias de consumo médio. Impacto direto no bolso. O aumento foi aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em face da queda nos níveis de reservatórios de hidrelétricas, o que obrigou o  governo a acionar usinas térmicas, que produzem energia muito mais cara.

Resta ao consumidor respirar fundo e tomar providências para usar menos energia e tentar minimizar a pancada no orçamento doméstico. Moderar o uso de equipamentos como ferro de passar, chuveiro elétrico, secadora de roupas e ar-condicionado será muito necessário. No Amazonas, a situação é especialmente difícil, considerando que, por aqui, estamos prestes a entrar no período mais quente do ano, o que sempre resulta no uso mais frequente do ar-condicionado, um dos vilões da conta de luz. Por enquanto, poder público, setor elétrico e os diversos segmentos da economia rezam para que as chuvas no segundo semestre consigam recompor os níveis nos reservatórios, de modo que não seja necessário racionar energia, uma situação atroz que os brasileiros não enfrentam há 20 anos.

Infelizmente, o risco de racionamento é real e torna-se maior a cada dia. Em alguns meses poderemos ter energia apenas por certo período, e ainda pagar mais caro. Não se pode ignorar o fato de que já passamos por isso em 2001, quando o País enfrentou a última grande seca. A lição não foi aprendida, e 20 anos depois, estamos novamente à beira do colapso na geração de energia pelos mesmos motivos de antes. Não fomos capazes de diversificar adequadamente as fontes de energia, apesar de todo o potencial do País para as modalidades solar e eólica, por exemplo. Diante disso, a postura do governo federal tem sido a de negar a gravidade do problema. Aos brasileiros resta manter a fé, esperar pelo melhor, mas se preparar para o pior.