Manaus dom, 18 out
A Crítica
Opinião

Incertezas no setor elétrico

A Eletrobrás vinha tentando realizar um novo leilão, mas o vencedor teria que arcar com a dívida de quase R$ 10 bilhões resultante da compra de energia junto às termelétricas instaladas no interior.

Publicado em 10/08/2024 às 10h52
Incertezas no setor elétrico
Foto: Arquivo A CRÍTICA

A geração e distribuição eficiente de energia elétrica no Amazonas está entre os enormes desafios do Estado, não resolvidos ao longo de muitas décadas. A situação do Amazonas é das mais complexas: a antiga estatal amazonense foi privatizada em dezembro de 2018, mas o arrematante não conseguiu desatar o emaranhado operacional e econômico da empresa, falhando em torná-la novamente sustentável.

Diante disso, a Eletrobrás vinha tentando realizar um novo leilão, mas o vencedor teria que arcar com a dívida de quase R$ 10 bilhões resultante da compra de energia junto às termelétricas instaladas no interior. É uma conta que não fecha. Junta-se a isso o fato de que as “perdas não técnicas” da companhia – o prejuízo causado pelos “gatos” – gira em torno de 80% no Amazonas. 

Para crescer, o Estado precisa de energia, insumo fundamental para qualquer atividade econômica. Sem energia confiável, não há que se falar em agroindústria no interior, fruticultura ou piscicultura. Mas o Amazonas é abastecido por uma companhia energética em situação de insolvência e sem expectativa de melhora. Se ainda fosse uma estatal, estaria sob intervenção federal, segundo disse o próprio ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira. Há seis anos, a solução simplista e até inocente era “privatize, jogue a responsabilidade para a iniciativa privada”, o que, de fato aconteceu. Mas a venda da empresa não resolveu nada, pelo contrário, os problemas se agravaram.

É nesse contexto que surge a proposta da holding J&F Investimentos, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, apresentada à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A holding pretende assumir a concessão da Amazonas Energia, acrescentando mais um capítulo na novela. Ocorre que a J&F acaba de comprar praticamente todas as termelétricas da Eletrobrás no Amazonas, e a maior parte das dívidas da ex-estatal amazonense é exatamente com essas usinas.

Se a holding assumir o controle da Amazonas Energia, ficará “tudo em casa”, tornando-se mais simples construir um desenho operacional que funcione. Com certeza, funcionará para os interesses dos irmãos Batista. Mas também precisa funcionar para o consumidor amazonense, que precisa de energia confiável, disponível e com tarifa acessível.