Inflação: pior setembro desde 2013
Nesta reta final do ano, a inflação, que vinha sendo contida numa zona aparentemente “confortável”, agora dá sinais de que pode escapar dela, em prejuízo, claro, do consumidor, sobretudo daqueles que integram o estrato mais baixo de renda.
Afinal, quando ela acelera, embora seus efeitos alcancem a todos, costumam causar maiores danos entre aqueles que têm menos recursos financeiros. Basta ver o preço do arroz e feijão, que este ano assustaram os brasileiros, já impactados pela pandemia do novo coronavírus e seus reflexos na economia doméstica.
Outros de seus efeitos dizem respeito à economia em sentido mais amplo, pelas incertezas que acaba criando em relação a novos investimentos, por um lado, e pelos estragos que inevitavelmente provoca, por outro, nos negócios já estabelecidos. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do país, registrou 0,64% em setembro deste ano, taxa superior ao 0,24% de agosto. Em setembro de 2019, o IPCA havia tido deflação (queda de preços) de 0,04%.
A taxa de 2020 é a mais elevada para setembro desde 2003 (0,78%). O grupo de despesas com alimentação e bebidas teve uma alta de preços de 2,28% em setembro, e foi o principal responsável pela inflação oficial no mês. A alta dos alimentos foi maior do que a observada em agosto, de 0,78%.
O Brasil enfrenta um processo de desindustrialização em meio à pandemia do novo coronavírus e a inflação continua sua escalada. Com o resultado de setembro, o IPCA acumula inflação de 1,34% no ano e de 3,14% em 12 meses. Com ela em alta, a conta da produção industrial não fechará nunca nos termos desejados pelo mercado.
Ruim para a economia em geral e a do Amazonas em particular, por sua dependência da Zona Franca de Manaus; pior para o consumidor, que num cenário assim deve chamar para si a responsabilidade de cuidar melhor de suas finanças.