Manaus dom, 1 nov
A Crítica
Opinião

Insegurança pública pede atenção em Manaus

Publicado em 08/01/2022 às 12h40 · Atualizado em 13/03/2022 às 19h06
Insegurança pública pede atenção em Manaus

Os assaltos em residências, terminais de ônibus e ambientes de maior frequência pública, como mercados e feiras, desestabilizam moradores e visitantes de Manaus. O número crescente desse tipo de ocorrência pede providências imediatas por parte dos governos estadual e municipal.

A sensação de insegurança é forte e cria ambiente de instabilidade emocional entre grupos familiares e do público, de modo geral. Os assaltos às casas desafiam as rotinas diárias das famílias que em diferentes relatos à mídia se declaram órfãs da proteção do Estado e sentem que estão diante de uma situação em que elas próprias deverão ter respostas. Esse comportamento é perigoso porque remete a um velho comportamento da justiça pelas próprias mãos, do armamento familiar sem a devida autorização de uso e da falta de habilidade em lidar com armas.

O que se desenha é um quadro caótico cujo resultado é previsível: mais confrontos e mortes, como já ficou demonstrado em outras cidades em que comportamento semelhante foi adotado. A maioria das pessoas se sente ameaçada e tenta buscar caminhos para usufruir da sensação de segurança. As opções feitas estão mais vinculadas a outros atos de violência, de aprofundamento da suspeição a partir de alguns códigos que permanecem em vigor no Brasil e estão mais afinados com o preconceito e o racismo. Nesse nível de desentendimento, medo e percepção de que o governo não oferece resposta eficaz, o que está mais presente é exacerbação da insegurança urbana.

É sabido que esse é um dos grandes problemas das cidades brasileiras e que poucos gestores públicos decidiram colocá-lo no rol das prioridades para debater e encontrar saídas conjuntas ao enfrentamento. Ou seja, a insegurança pública e a sua tradução – violência urbana –  exige que os governos se mobilizem e articulem alianças com o empresariado, as instituições, as representações da sociedade e religiosas.

Criar mecanismos que assegurem maior segurança às famílias, aos moradores e visitantes da cidade, ao ir e vir dos cidadãos é possível e esse aspecto tornou-se fundamental no conjunto de indicadores que estabelece a qualidade de vida de uma cidade. Em Manaus, o que prevalece é a desigualdade socioeconômica, o temor dos ataques e uma estrutura precarizada que, na soma geral dos fatores, responde pelo agravamento da condição de vida manauara.