Manaus sáb, 17 out
A Crítica
Opinião

Instabilidade como regra de vida

Publicado em 18/03/2019 às 11h50 · Atualizado em 13/03/2022 às 20h44
Instabilidade como regra de vida

O mês de março chega à penúltima semana com indicadores negativos nas diferentes áreas de atividade econômica do País e na maioria dos Estados. O desemprego não oferece trégua e a taxa de desocupação dos brasileiros permanece alta enquanto os pedintes nas ruas das capitais, não somente de imigrantes, são visivelmente mais numerosos. Na cidade de Manaus, crianças e adolescentes voltaram a fazer apresentações relâmpagos em frente de carros.

A precarização da condição de vida está exposta e faz crescer o sentimento de insegurança e de instabilidade. As falas frágeis dos líderes governamentais produzem efeito ainda mais negativo à população que não consegue perceber, em geral, qual é a proposta para enfrentar o cenário desfavorável. São aproximadamente 90 dias de gestões das novas administrações governamentais e de outra legislatura sem que até agora o grau de confiabilidade nesses poderes tenha sido elevado. E este é um dado importante porque por meio da confiança instaura-se um clima favorável para a superação dos problemas e a vigência da sensação de que a vida nacional será melhor.

Vários fatores, reunidos, instalam a angústia e a incerteza como indicadores mais visíveis da vida. Os episódios de violência, desta feita atingindo comunidades escolares, o pânico como parceiro cotidiano e os preços elevados de vários produtos alimentícios, de remédios e do transporte público impactam na sanidade das pessoas.  A isso agregam os discursos de ódio que cultuam os atos de violência como forma de superar os problemas e atuam como obstáculos às pontes que buscam instaurar diálogos e demonstrar que os brasileiros necessitam ser animados mais coletivamente por outra cultura que esteja calcada no respeito aos diferentes e no apreço à defesa da dignidade das pessoas. É esse sentimento que precisa ganhar força e se tornar mais visível.

Os gestores públicos, a partir de Brasília, têm o dever de se preocupar com esse ambiente e iniciar conversas com membros de suas equipes para que refletiam sobre o que dizem ao tratarem de questões delicadas. Se é uma estratégia manter declarações espalhafatosas e alimentar polêmicas de baixo nível, devem saber a priori  que investem tempo e energia num campo minado cujo efeito poderá ser trágico para a maioria dos brasileiros e diretamente aos que assumiram a responsabilidade de governar o País.