Manaus sex, 16 out
A Crítica
Opinião

Investigação atrasada, porém necessária

Publicado em 07/03/2020 às 14h22 · Atualizado em 13/03/2022 às 20h37
Investigação atrasada, porém necessária

Com certo atraso, o Ministério Público do Estado inicia a investigação sobre os gastos com a parada de ônibus instalada há seis meses na Ponta Negra, ao custo de R$ 207 mil aos cofres públicos. A Prefeitura de Manaus explica que o elevado custo se deve ao projeto diferenciado e à qualidade dos materiais utilizados na construção do abrigo. Mas quem já teve a oportunidade de tentar se abrigar da chuva naquela construção sabe que a eficácia não é uma das qualidades já que a proteção contra chuva parece não ter sido uma das prioridades do projeto. 

Por outro lado, chama a atenção a disposição da Prefeitura em gastar tanto dinheiro em uma parada de ônibus na Ponta Negra quando tantos abrigos de Manaus se encontram em péssimas condições. Inúmeros pontos de ônibus sequer contam com abrigos, submetendo a população a sol e chuva na espera pelos coletivos. A péssima qualidade dos abrigos, aliás, acentua o suplício que é depender do transporte público em Manaus, com veículos, sucateados e frequentemente superlotados.

Com o dinheiro gasto pela Prefeitura na construção da “parada VIP” na Ponta Negra, seria possível erguer pelo menos cinco novos abrigos pela cidade – isso supondo o custo unitário informado no ano passado pelo antigo Implurb: R$ 44 mil. É difícil acreditar que os abrigos que vemos pela cidade tenham esse custo de construção. O fato é que a parada da Ponta Negra foi construída, inaugurada no final do ano passado e tem sido alvo de constantes críticas por ser praticamente inútil em dias de chuva e por seu custo que causa estranheza pela elevada cifra. 

O Ministério Público também achou estranho e já solicitou cópia, em mídia digital, do processo de pagamento do contrato celebrado entre a Prefeitura e a empresa  WM Construções e Serviços de Manutenção. Assim como o  termo de recebimento definitivo da obra. O Ministério Público de Contas, órgão ligado ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM), também foi instado a se manifestar sobre o caso, encaminhando ao MPE eventuais documentos relacionados à obra na Ponta Negra. O MP age dentro de suas competências no intuito de zelar pela boa aplicação do dinheiro público, e a  sociedade espera uma resposta para este caso que levanta tanta estranheza e insatisfação, sobretudo pelos usuários do transporte público.