Juros em queda, finalmente
Para a Zona Franca de Manaus, o corte nos juros era esperado com bastante ansiedade, uma vez que boa parte dos produtos aqui fabricados são itens de consumo de alto valor
Ao promover o corte de 0,5 ponto percentual na taxa básica de juros da economia, fixando-a em 13,25% ao ano – primeiro corte nos últimos três anos –, o Conselho de Política Monetária (Copom) deixou algumas indicações importantes ao mercado. A primeira delas, a mais importante, é que teve início um processo gradual de redução de juros no País, o que se deve à melhora no quadro inflacionário verificado no Brasil.
Ficou bastante claro que novos cortes como o realizado na última quarta-feira podem vir nas próximas reuniões do colegiado. A segunda indicação é a de que o critério técnico foi o que motivou o corte e que seguirá em primeiro plano nas deliberações do Copom, que resiste a pressões políticas e do mercado.
Por outro lado, também foi destacado que a manutenção da tendência de queda nos juros depende do comportamento da inflação nos próximos meses. A maior parte dos especialistas aposta que o quadro macroeconômico tende a melhorar, o que alimenta as esperanças de que a redução nos juros, de fato, se mantenha. Apenas a continuidade dos cortes pode fazer com que o cidadão comum perceba alguma diferença no dia a dia. Isso porque os juros no Brasil ainda estão entre os maiores do mundo.
Dados da Infinity Asset Management colocam o Brasil na liderança em ranking global de juros reais, mesmo com o último corte, superando nações como México, Colômbia e Chile, países onde os juros não chegam a 7%, quase a metade da nossa Selic.
Mas, algum efeito já se faz sentir. Bancos como Caixa Econômica e Banco do Brasil reduziram suas taxas tão logo o Copom anunciou o corte na Selic. São reduções praticamente simbólicas, é verdade, mas que mostram a disposição dos agentes financeiros em repassar os cortes para os produtos oferecidos aos clientes.
Para a Zona Franca de Manaus, o corte nos juros era esperado com bastante ansiedade, uma vez que boa parte dos produtos aqui fabricados são itens de consumo de alto valor, que os consumidores adquirem por meio de pagamentos parcelados com incidência de juros. Motocicletas, condicionadores de ar e televisores, são exemplos. Com os juros em queda, a demanda por tais produtos tende a aumentar, movimentando um círculo virtuoso que beneficia a todos, fabricantes, trabalhadores das fábricas e consumidores finais.