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A Crítica
Opinião

Juros menos irracionais no cartão

O teto de juros para o rotativo e para o parcelamento da fatura do cartão de crédito, a partir de hoje, está limitado a 100% do valor da dívida. Uma medida histórica que coloca limites a uma das práticas mais descabidas que afligem os consumidores brasileiros.

Publicado em 03/01/2024 às 08h42
Juros menos irracionais no cartão
Foto: Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O teto de juros para o rotativo e para o parcelamento da fatura do cartão de crédito, a partir de hoje, está limitado a 100% do valor da dívida. Trata-se de uma medida histórica que coloca limites a uma das práticas mais descabidas que afligem os consumidores brasileiros.

Até ontem, as taxas de juros do cartão de crédito no Brasil estavam entre as mais altas do mundo, muitas vezes superando 400% ao ano para clientes que não pagam o valor total da fatura na data de vencimento.

A limitação promovida pelo Conselho Monetário Nacional causou reação dos bancos. O conceituado Goldman Sachs ponderou que a medida pode levar os bancos a desistir de oferecer essas linhas aos consumidores, o que poderia afetar diretamente os gastos e, portanto, a arrecadação do governo.

Essa possibilidade existe, realmente, mas, na opinião deste diário, entre os pontos prós e contras, a limitação termina por ser mais benéfica que o contrário.

Além do mais, é evidente que as taxas de juros praticadas pelas operadoras de cartão de crédito estão flagrantemente infladas e com larga margem para corte sem prejudicar de maneira significativa os ganhos dos agentes financeiros. Reduzir um pouco o afã por lucros não vai quebrar ninguém.

De qualquer forma, é preciso reconhecer que, no Brasil, o cartão de crédito constitui uma grande armadilha, principalmente para famílias de baixa renda, que caem no equívoco de colocar o cartão na condição de “renda extra”.

O início da tragédia financeira de muitas pessoas começa quando resolvem somar o limite do cartão à sua própria renda pessoal. O resultado, frequentemente, é uma dívida que supera em muito a renda mensal, chegando até mesmo a ser impagável.

Neste cenário de imensa falta de educação financeira, a medida que limita os juros do cartão é extremamente positiva, mas não basta para desarmar a armadilha que todos os dias captura milhares de pessoas.

A limitação dos juros é apenas a garantia de uma dívida menor e menos irracional, mas não substitui a necessidade urgente de um amplo programa de educação financeira para os brasileiros.

É certo que, se ainda na escola, as crianças e adolescentes fossem preparados para gerir adequadamente seus próprios recursos, de maneira realista e equilibrada, teríamos um país com menos endividados.