Mais educação, saúde e respeito aos povos indígenas do Amazonas
Durante três dias, de 12 a 14 deste mês, representantes de 30 etnias indígenas, professores e agentes de saúde indígenas reuniram-se em Manaus, o ato final do encontro ocorreu nas dependências da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Por todo o dia, debateram e aprovaram documentos com reivindicações destinadas ao governador eleito, Wilson Lima, e ao reitor da Ufam, Prof. Sylvio Puga, entregues oficialmente na tarde da última sexta-feira.
Ao Governo do Amazonas, o documento apresenta um quadro da atual realidade dos povos indígenas no Estado e pede providências que assegurem melhorias nas áreas da educação, da saúde e da cultura desses povos, o que passa pelo entendimento de perceber arranjos econômicos que respeitem os valores indígenas. Para a Ufam, os indígenas reivindicaram que a universidade assuma com maior profundidade a sua feição indígena, amplie a educação superior voltada aos indígenas e crie uma unidade indígena em sua estrutura. Tanto o reitor da Ufam quanto o representante do governo estadual comprometeram-se em acolher e desenvolver esforços para que as propostas formuladas sejam articuladas e desenvolvidas.
Aproximadamente 700 indígenas do Amazonas, Acre, Roraima, Rondônia, Pará e Mato Grosso participaram do encontro organizado para marcar os 30 anos da Comissão de Professores Indígenas do Amazonas e Roraima (Copiar); e cinco anos do Fórum de Educação Escolar e Saúde Indígena do Amazonas (Foreeia); e constituição da Frente Ampla de Defesa dos Direitos Indígenas. Os indígenas são um dos primeiros segmentos a reunir, debater e aprovar propostas que deverão ser defendidas no âmbito dos governos estaduais e do federal, e nas instituições de ensino e pesquisa.
Organizações internacionais estão acompanhando os redirecionamentos dados internamente no Brasil e pedem providências para impedir que situações de confrontos graves ocorram essas etnias e segmentos vulneráveis da sociedade brasileira. O confronto ocorrido, há dois dias, no Município de Manacapuru, entre madeireiros e agentes do Ibama, estes expulsos do local onde apuravam denúncia de crime ambiental, indica o clima reinante com tendência a ampliar conflitos no interior de diferentes Estados brasileiros. Em três dias foram três assassinatos de agricultores nos Estados do Pará, Maranhão e Mato Grosso. O País já é recordista em mortes no campo por conta da disputa de terra.