Mais segurança para as mulheres
Sociedade e poder público precisam avaliar o cenário, discutir propostas e implementar providências
O Amazonas ocupa a vexatória terceira posição entre os estados mais inseguros para mulheres, com mais de 600 casos de violência registrados no ano passado, segundo revelou o relatório “Elas Vivem 2025: um caminho de luta”, elaborado pela Rede Observatórios de Segurança e divulgado ontem. Os dados do relatório deixam clara a necessidade urgente de avanço nas políticas de proteção às mulheres. Sociedade e poder público precisam avaliar o cenário, discutir propostas e implementar providências.
O relatório trata apenas dos casos registrados, que foram parar na polícia. É apenas a ponta do gigantesco iceberg de violência silenciosa contra mulheres. São agressões que ocorrem diariamente dentro de casa, na rua ou no trabalho, mas que não ganham repercussão e nem entram nas estatísticas.
Cabe ao poder público, especialmente aos estados, que administram as polícias civil e militar, tomar providências para fechar o cerco aos agressores. Para isso, é essencial o treinamento de pessoal, polícia e delegacias devidamente equipadas e, principalmente, a criação de canais seguros e eficazes para a efetivação de denúncias. A própria população também deve agir. Não há mais espaço para antigas convenções sociais, como a de que “em briga de marido e mulher não se mete a colher”. Os crimes de gênero estão devidamente tipificados no Código Penal e qualquer cidadão não apenas pode, como deve, denunciar os casos de que tenha conhecimento.
A valorização das mulheres não se trata apenas de proporcionar mais segurança, embora seja este um ponto crucial. As mulheres só estarão realmente seguras quando houver equidade de gênero, com equiparação salarial, igualdade de oportunidades e respeito mútuo. Mas, para isso, seria necessária uma ampla evolução social que pode demorar décadas. É verdade que houve significativos avanços ao longo do último século. No Brasil, as mulheres só puderam votar a partir de 1932; só puderam trabalhar fora de casa no final da década de 1940, e a violência doméstica só foi reconhecida como crime em nosso País em 2006, há menos de 20 anos.
Ainda há um longo caminho para percorrer, porém, garantir mais segurança para mulheres é um passo necessário que não pode ser adiado.