Mandato político como fonte de riqueza
A lista dos bens declarados dos candidatos a cargos eletivos nos poderes Legislativo e Executivo pode servir para a retomada de uma discussão necessária, a que envolve mandatos, poder e riqueza. A obtenção de mandato tem sido um caminho curto para a ampliação de bens patrimoniais da maioria dos eleitos. Ainda que por vezes apresentem dados subestimados do patrimônio, as declarações de bens se constituem em bons mecanismos de análise do direcionamento dado à ação política no Parlamento e no Executivo e quais interesses estão em jogo.
É recorrente o uso de declarações que dão à política e aos políticos um sentido de espaço para realizar negócios ilegais e que os políticos estão distante da realidade brasileira, por isso, com muita facilidade, a usam para obter mandato e, em seguida, descolam-se dela. Monitorar os bens oficialmente declarados pode ser uma fonte de revelações das decisões tomadas pelos detentores de mandatos públicos e a quem elas estavam destinadas. Os mandatos tem sido o caminho mais curto para o enriquecimento de grupo de pessoas, o que é, no mínimo, intrigante e deveria merecer maior atenção dos vários setores da sociedade.
O executivo e o legislativo não são espaços para promover a riqueza econômico-financeira e patrimonial dos seus integrantes, mas assim tem sido para a maior parte dos integrantes desses poderes. As instituições e a sociedade brasileira podem ampliar os questionamentos a respeito do enriquecimento acelerado nessas áreas, a busca por respostas e esclarecimentos irá ajudar a constituição de um amplo movimento nacional por reforma política real no País. Quanto menor for a distância que separa a remuneração parlamentar (salário mais vantagens) da média salarial dos trabalhadores brasileiros, mais chance estarão sendo construídas para um Parlamento que tenha como negócio fundamental exercer as funções que lhe estão atribuídas constitucionalmente.
Hoje, o quadro é mais de negação do exercício parlamentar enquanto fiscal do executivo, proponente e interdependente. Levantamentos feitos por institutos e pela mídia mostram número expressivo de eleitores que não sabem o que faz um parlamentar. Esse desconhecimento contribui para que muitos deputados, senadores, vereadores façam aquilo que não deveriam fazer que é transformar os mandatos numa bancada de negócios particulares e quase sempre ignorando a exigência da probidade.