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A Crítica
Opinião

Moradias em áreas de risco

A crise climática em escala frequente não pode ser mais encarada com obra de ficção. Os eventos climáticos em todo o mundo estão ocorrendo e deixando consequências de várias ordens

Publicado em 14/03/2023 às 09h07
Moradias em áreas de risco
Foto: Junio Matos

Os desabamentos e mortes ocorridos no domingo, em Manaus, são parte das tragédias anunciadas no Amazonas e no Brasil. Sabe-se, com margem de segurança, que vai acontecer e deixa-se acontecer. As moradias em área de risco permanecem e continuam sendo estimuladas por interesses diversos.

Enquanto não for levado a sério e não for considerada a responsabilidade governamental, em primeiro lugar, para enfrentar o problema gerado pelas famílias que moram em área de risco e, ao mesmo tempo, impedir que novas habitações sejam construídas, o que se assistirá são repetições de cenas de desmoronamento, de pessoas desabrigadas, em situação de sofrimento e mortes.

As forças mobilizadoras pela ocupação de áreas de risco são mais ágeis e maiores diante de posicionamentos político-eleitoreiros feitos de acordo com os interesses vigentes do momento. Setores da sociedade, principalmente os mais vulneráveis, são empurrados para habitar os locais mais inadequados a fim de que as outras áreas mais seguras possam abrigar empreendimentos que não estarão acessíveis a esse segmento social.

Outro aspecto é que as vítimas dos desabamentos se tornam temas passageiros, quando anúncios de providências são feitos por autoridades governamentais, há uma bonita campanha de solidariedade para socorrer às vítimas e manifestações de moradores. Depois, entra-se no processo de esquecimento e de escassez de informações até ao esquecimento do assunto ou sobreposição de outro para ser tratado.

A crise climática em escala frequente não pode ser mais encarada com obra de ficção. Os eventos climáticos em todo o mundo estão ocorrendo e deixando consequências de várias ordens. Se a crise do clima não for levada a sério e medidas corretas não forem tomadas nas cidades, o que se manterá por longo tempo será a agonia das vítimas, a dor das perdas de vidas, os prejuízos e uma cidade que estará longe de ser inserida em um padrão de desenvolvimento ecossustentável.

Em Manaus, igarapés continuam sendo engolidos, aterrados para abrigar estacionamentos, como extensão de terrenos ou entupidos por detritos, a política de moradia e de saneamento não consegue estabelecer pilares seguros e sofre descontinuidade frequente. As áreas verdes são facilmente transformadas em espaços de outras atividades e acumulam-se os obstáculos para demonstrar e assegurar a importância da vida dos igarapés e da manutenção das áreas verdes.