Manaus sáb, 17 out
A Crítica
Opinião

Movimentos retomam a pauta amazônica

Saúde, educação, economia, territórios, água e saneamento, comunicação, segurança pública e meio ambiente foram pontos destacados pelos expositores

Publicado em 14/05/2024 às 09h36
Movimentos retomam a pauta amazônica
Foto: Larissa Martins/AC

A etapa Manaus do Fórum Social Pan-Amazônico (FOSPA) apresentou uma síntese de questões sobre as quais o Estado do Amazonas deve respostas esclarecedoras.

Durante todo o dia de sábado (11), no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), representantes de movimentos sociais, de organizações indígenas e indigenistas, da população preta, estudantes, professores e pesquisadores debateram, a partir de quatro eixos temáticos, problemas que impactam e ameaçam as vidas nas cidades amazonenses e amazônicas.

Saúde, educação, economia, territórios, água e saneamento, comunicação, segurança pública e meio ambiente foram pontos destacados pelos expositores de mesas. No geral, o quadro revelado mostra situação preocupante e, algumas delas, graves, como a lentidão nas respostas sobre a investigação no caso conhecido como “massacre do rio Abacaxis”, ocorrido em 3 de agosto de 2020. Oito pessoas foram mortas, duas delas do povo munduruku.

Líderes indígenas também criticaram a conduta governamental quanto à presença de empresas em territórios indígenas para exploração de minério que, segundo eles, não cumpriram os devidos trâmites legais e provocam divisão na comunidade.

Na área de saúde, o cenário apresentado remete à precariedade do sistema e do nível de adoecimento nas cidades, a falta de estrutura e a descontinuidade de programas. Na economia, os indicadores apontaram o crescimento da feminização da pobreza e do endividamento somando a uma jornada cada vez maior das mulheres responsáveis pelo sustento da família. A saúde mental dessas mulheres aparece bastante afetada.

A adoção e sustentação de políticas que acolham as mulheres em seus diferentes empreendimentos e valorizem a economia solidária e a agroecologia foram alguns dos pontos reivindicados pelos participantes. Os jovens denunciaram a falta de oportunidade para que possam ampliar estudos e ter trabalho digno e pediram ações concretas para combater o extermínio dessa juventude.

Ainda esta semana, o comitê local divulgará a Carta Compromisso, aprovada no final da tarde de sábado (11), e que será levada ao encontro pan-amazônico, na Bolívia, na primeira semana de junho e de onde sairão documentos da região que serão como bússola das próximas decisões.