Manaus dom, 18 out
A Crítica
Opinião

O Amazonas precisa criar base competente

É preciso que os sinais dados e os efeitos reais desse quadro sejam levados a sério

Publicado em 17/10/2023 às 09h58
O Amazonas precisa criar base competente
Foto: Jeíza Russo

O Amazonas experimenta uma situação dramática em consequência da crise climática, do El Niño, dos focos de incêndio, seca e estiagem. O impacto na vida dos moradores, amazonenses ou não, é enorme e ainda não mensurado em toda a sua extensão. São danos à saúde mental, no agravamento de sintomas de doenças, à economia municipal e doméstica, na educação  entre outros interligando e atingindo a estrutura de vida de pessoas e de comunidades.

É preciso que os sinais dados e os efeitos reais desse quadro sejam levados  a sério, o que significa, como primeiro passo, governo chamar as instituições de pesquisa e de ensino para, juntos, e em parcerias com outros segmentos da sociedade pensar sobre o que ocorreu e está ocorrendo e como o Estado pode enfrentar os problemas produzidos no presente e ampliar mecanismos de prevenção para o futuro.

O que está sendo apresentado por institutos de pesquisa cientifica e pesquisadores é de continuidade dos efeitos. As informações mais abalizadas deveriam ser parte de mobilizações estratégicas para uma gestão adequada e competente das diferentes vertentes da crise ora instalada. O que se verifica são posições completamente destoantes anunciadas publicamente e que parecem mais ligadas a interesses políticos muito particulares, o que mostra uma posição atrasada politicamente embora possa atender, por enquanto, a alguns projetos.

Alguns agentes públicos em pronunciamentos nas redes sociais minimizam os efeitos, ou seja, o drama vivido no Amazonas, com mais intensidade em alguns municípios, mas todos atingidos, o que se traduz em desrespeito para com as vítimas. A tentativa de algumas autoridades e aliados em remeter o que se passado no Amazonas a um quadro de normalidade – ou de eventos recorrentes – indica a tendência de acomodação dos resultados desses eventos severos, com a manipulação de informações visando obter dividendos políticos notadamente por se tratar de período pré-eleição municipal.

Que a sensatez e o dever dos representantes de órgãos públicos, até mesmo na defesa e valorização das instituições, possam prevalecer sobre as atitudes miúdas. E dessa maneira, movimentar as competências cientifico-tecnológicas e os saberes de comunidades originárias para estabelecer outros parâmetros na forma de lidar com tais eventos e construir progressivamente uma base mais sólida nessa área.