Manaus sáb, 31 out
A Crítica
Opinião

O Amazonas precisa ser olhado

Publicado em 04/11/2018 às 11h51 · Atualizado em 13/03/2022 às 22h20
O Amazonas precisa ser olhado

O Amazonas necessita ser mobilizado em nome de uma pauta fundamentada nas questões centrais do Estado, isso significa dizer que o conjunto das autoridades, dos representantes das instituições e das organizações sociais tem que se fazer presente. Há muitos anos que deixaram de ocorrer debates em torno dos temas profundos para a região e o Amazonas. Os espaços de discussão foram reduzidos e outros itens substituíram o debate sobre propostas e cenários.

Os prejuízos estão sendo agora expostos em escalada e tendem a ser maiores se providências estratégicas não forem tomadas. Para isso, é preciso bom senso e responsabilidade no trato dos temas de fato relevantes à sociedade amazonense, o que exige conhecer o Estado e exercitar a sensibilidade para compreender as diferentes realidades que o Amazonas abriga.

Iniciar um novo governo representa à parcela da população a possibilidade ver serviços funcionando com mais qualidade, de sentir a ampliação dos serviços básicos e a inserção das cidades em níveis de desenvolvimento humano mais aceitáveis. Um novo governo assumirá o comando do Estado a partir de 1º de janeiro e terá a tarefa de olhar Manaus, como a grande cidade onde as pressões são mais intensas, mas também olhar os outros 61 municípios não de passagem e sim dedicando tempo, ouvindo, percebendo.

O Estado chega aos 18 anos do século XXI abrigando situações que já deveriam ter sido superadas, infelizmente, acabaram sendo aprofundadas, como a pesada concentração de renda nas mãos de poucos enquanto a maioria não dispõe de acesso água canalizada, à energia elétrica, à atenção médica, à educação, moradia e transportes.

As ameaças que pairam sobre o Amazonas com o processo de fragilização do seu principal modelo de desenvolvimento econômico, o Polo Industrial de Manaus, ganham corpo cada vez mais forte na medida em que os processos globais impõem novos desenhos econômicos e financeiros. Dependente, o Estado não usou o tempo favorável para construir outros caminhos e operacionalizar oportunidades que estão dadas pelos recursos naturais, como o pescado, os frutos e frutas, óleos e madeira. A cadeia produtiva e o manejo dentro de técnicas que são ecologicamente aceitas em todo o mundo poderiam ser, hoje, uma experiência bem-sucedida. Os dirigentes optaram por ignorar tais recursos e o conhecimento científico produzido sobre eles.