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A Crítica
Opinião

O desafio de construir cidades sustentáveis

Há por parte dos governos nos três níveis, e do legislativo o dever de responsabilidade em agir.

Publicado em 21/05/2024 às 09h57
O desafio de construir cidades sustentáveis
Foto: Agência Brasil

Os recursos financeiros para a reconstrução do Rio Grande do Sul estão anunciados, talvez, não no volume necessário – ainda não projetado e publicado – mas confirmados em protocolos oficiais entre os governo federal e estadual. O passo seguinte é monitorar, com responsabilidade e eficiência, o caminho do dinheiro e a execução das obras de recuperação das cidades.

É no modelo de realização das obras e do monitoramento que a tragédia no Rio Grande do Sul oferece aos demais estados brasileiros a possibilidade de andar para frente e criar suportes para impedir, de fato, a repetição desse drama; Outros eventos, muito recentemente, aconteceram e não foram suficientes para promover uma atitude ampla de cuidado com a Natureza. Ao contrário, o que se verifica, nesse momento, são tentativas de avançar com projetos de leis que ignoram os impactos ambientais ou tentam mudar critérios  legais  a fim de assegurar a implantação dos mesmos.

Se após tamanha tragédia, a sociedade brasileira não adotar outra conduta, aprendendo a pressionar legitimamente os agentes dos poderes estabelecidos a fim de que a legislação ambiental seja respeitada e aprimorada, o que prevalecerá será o pacto por novos acontecimentos. De um lado, reconhecer os efeitos das mudanças climáticas e, de outro, agir para que as populações atingidas por secas, cheias, chuvas intensas, vendavais, terremotos, maremotos possam contar com sistemas de alerta mais eficientes.

No ritmo em que se coloca a lógica dos negócios e, junto a esses, de um modelo de desenvolvimento, o amanhã tende a ser de repetição do drama de milhares de pessoas,  muitas delas com perdas que não poderão ser recuperadas, como a vida de parentes e de amigos. Há por parte dos governos nos três níveis, e do legislativo o dever de responsabilidade em agir.

Margens de rios, áreas de igarapés e as faixas próximo do mar não deveriam continuar sendo ocupadas como o é. Aliás, os vários eventos ocorridos demonstram que construir nessas áreas e seguir nesse tipo de desenvolvimento é uma espécie de bomba preste a explodir a qualquer momento. O Brasil pode construir outro roteiro, utilizar a tecnologia, a criatividade e o conhecimento para enfrentar o quadro de risco em que se encontram varias cidades.