Manaus sáb, 17 out
A Crítica
Opinião

O difícil caminho da ZFM

Publicado em 19/06/2020 às 11h57 · Atualizado em 13/03/2022 às 20h15
O difícil caminho da ZFM

A Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) tem, há dois dias, novo comando. O general Algacir Polsin é o quarto militar a dirigir a autarquia, os outros três eram coronéis, o último deles, Alfredo Alexandre Menezes, deixou o cargo em 8 de junho. A escolha pelo viés militar, na atualidade, atende a uma busca de padronização que o governo federal tenta dar a estrutura da administração do País, o que é recebido por setores amplos da sociedade com preocupação e questionamentos quanto ao processo de militarização do governo e possível desvio da finalidade maior do corpo das forças armadas de uma nação. 

No caso da Suframa, enfraquecida e tratada como assunto de importância menor na gestão da política econômica do Brasil, a pergunta é: a que veio o general Polsin? Para os que moram na Amazônia Ocidental, e no Amazonas, mais diretamente, a resposta passa necessariamente pela capacidade do superintendente em dialogar com os diferentes segmentos envolvidos na e pela a Suframa. Os empresários, de grande, pequeno e micro porte, os governos do Estado e do Município de Manaus, o legislativo municipal, estadual, federal, as instituições, como universidades, institutos de pesquisa, as organizações representantes dos trabalhadores do Polo Industrial de Manaus (PIM).

A disposição para ouvir, conhecer com maior profundidade os aspectos da atuação e da relação da ZFM com o desenvolvimento regional é um indicador de como a Suframa irá caminhar entre obstáculos aos quais a agência foi lançada. Há, em nível nacional, uma ideia de rejeição a manutenção da ZFM e esta, embora inúmeras campanhas de sensibilização tenham sido realizadas, permanece forte com aliados de peso político-econômico com livre trânsito no governo federal e, de forma mais específica, no Ministério da Economia.

Se o comando da Suframa está disposto a atender interesses de Brasília e não os compatibilizar com os interesses da região no soerguimento do PIM, no empenho para melhorar a percepção sobre a ZFM e a autoestima do conjunto de atores diretamente envolvidos nesse modelo – empresários, trabalhadores, os governos, as instituições, a sociedade –  o cenário tende a reproduzir a estagnação e aprofundar os problemas econômicos e sociais nesta parte do Brasil com forte consequência na cidade de Manaus. A operação é difícil, pois, a ZFM é tratada com óbice, mas não impossível se a proposta for revitalizar a agência de desenvolvimento.