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A Crítica
Opinião

O perigoso avanço da obesidade

Publicado em 18/08/2018 às 23h20 · Atualizado em 13/03/2022 às 23h04
O perigoso avanço da obesidade

Obesidade é um problema de saúde pública que já custa milhões de reais ao País todos os anos com tratamentos, sem falar nos inúmeros problemas para os próprios obesos, como baixa qualidade de vida, baixa autoestima e até dificuldade para encontrar emprego.  Além dos problemas de saúde que o sobrepeso causa, o preconceito também é muito presente no dia a dia de quem sofre dessa doença. A subida dos ponteiros na balança é uma barreira encontrada pelos pacientes portadores de obesidade mórbida na hora de buscar um trabalho, o que acaba agravando a situação do doente.

Infelizmente, já é uma epidemia mundial. No Brasil, o quadro não é muito diferente. De acordo com o Ministério da Saúde, dos 207,6 milhões de brasileiros, 53,8% já estão acima do peso. Na década de 70, o índice no País era de 24%. A marca ultrapassou 50% da população há dois anos, indicando que o engordamento  vem avançando lentamente ano após ano, tendendo a acelerar nas próximas décadas. Os números já são alarmantes, mas o Brasil não precisa chegar a uma situação crítica para tomar atitudes concretas. 

Para o Dr. Victor Dib, cirurgião bariátrico especializado no tratamento da obesidade e doenças do aparelho digestivo, existe a necessidade urgente de se adotar políticas públicas transversais visando a educação alimentar, vida saudável , com prevenção da obesidade, paralelamente ao tratamento dos que já estão doentes, sobretudo daqueles que não dispõem dos recursos para custear um tratamento adequado.

Algumas iniciativas já começam a ser tomadas, porém de forma isolada e não sistemática. Um exemplo é o programa do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) que vai destinar R$ R$ 10 milhões para 27 universidades públicas e privadas do País. Os recursos deverão ser aplicados no desenvolvimento de ações de prevenção, diagnóstico e tratamento da doença no Sistema Único de Saúde (SUS). A verba poderá ser usada em pesquisa, extensão e formação de funcionários da atenção básica. 

O Ministério da Saúde precisaria atuar de forma mais decisiva sobre a questão da obesidade antes que o problema fuja ao controle. Atenção especial deve ser dedicada às crianças, uma vez que, segundo dados oficiais, 12,7% dos meninos e 9,4% das meninas já estão obesos no Brasil. Governos e a sociedade precisam despertar para esse problema o quanto antes e construir soluções de curto, médio e longo prazo.