O preço da energia elétrica e os sem direito
A entrada em vigor do novo reajuste na conta de luz – em 15,99% – não pode ser recepcionado apenas como um absurdo a mais. Trata-se de outro golpe profundo nos orçamentos das famílias mais pobres com sérias consequências para a manutenção regular de serviços básicos.
A série de reajustes desses serviços atinge por meses seguidos milhares de pessoas e tem submetido parte delas a adotar procedimentos típicos de períodos de guerra e ou de desabastecimentos generalizados. O silêncio e ou a falta de explicação adequada e da tomada de posição para frear tais atos são a resposta presente por porte das autoridades governamentais, legislativas e de setores da justiça.
A comparação mais recorrente é a de que o drama real e apresentando, diariamente, pela mídia sobre a condição de miséria a que vem sendo submetida a população não consegue mobilizar as autoridades, os gerentes do Estado. Esses se colocam em distância gigantesca daqueles que pelo voto os outorgaram e legitimaram nos postos de representantes da coletividade.
Os cálculos e a geografia dos números nas cidades demonstram o quanto os setores mais pobres estão sendo apertados pelo cinto do aumento do preço da água, da energia elétrica, dos alimentos, do gás de cozinha e dos medicamentos. Igualmente apontam a lentidão no reaquecimento de abertura de postos de trabalho e na absorção em nível mais elevado da multidão de desempregados.
Como é que em um cenário de escalada inflacionária, os preços dos serviços básicos são reajustados em porcentuais tão elevados? O que os governos querem fazer com o povo? O País caminha para ampliar um outro número vergonhoso e que reativa a nódoa nacional, o dos famintos. Eles são cada vez mais nos caminhões e depósitos de lixo, nos semáforos das ruas, nas praças das cidades. Mulheres e crianças, muitas das quais quase bebês ainda enfrentam todos os riscos nesses ambientes para pedir comida ou algum tipo de ajuda que lhes possa saciar a fome.
Um país ou cidade onde famintos são uma das fotografias não podem ser considerados desenvolvidos, a não ser que o tipo de desenvolvimento seja aquele da exclusão sistemática que se realiza pela acumulação de bens por uns poucos e a produção de desigualdade em larga escala, como a seguida negação a essa parcela da sociedade a serviços básicos.