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A Crítica
Opinião

O TFFF e as questões à espera de respostas

Como o fundo será utilizado, quem irá manejar as cordas, quais os riscos e as vantagens às florestas tropicais e aos demais seres vivos que nela habitam? São algumas das questões a serem respondidas à luz da ciência.

Publicado em 08/10/2025 às 09h04
O TFFF e as questões à espera de respostas
Foto: Agência Brasil

O Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês) exige, pelo menos dos pesquisadores e das organizações do movimento social vinculadas a essa temática, um estudo profundo. Como o fundo será utilizado, quem irá manejar as cordas, quais os riscos e as vantagens às florestas tropicais e aos demais seres vivos que nela habitam? São algumas das questões a serem respondidas à luz da ciência.

A ideia do TFFF foi apresentada na COP28, em Dubai, pelo Brasil, que desde então articula adesões. Em novembro, na COP30, na cidade de Belém (PA), o governo brasileiro lança oficialmente o fundo, com projeção de arrecadar 125 bilhões de dólares por meio de investimentos públicos e privados a serem feitos em escala global.

Dados oficiais indicam que 70 países classificados como “em desenvolvimento” e detentores de florestas tropicais poderão vir a receber apoio financeiro a partir desse mecanismo.

Alguns estudiosos e líderes de organizações socioambientais veem o TFFF como meio de “monetização dos serviços ecossistêmicos das florestas tropicais”. Tratar-se-ia de uma armadilha que, na base, promove negócios econômico-financeiros sob o comando de governos mundiais a partir da floresta e não contempla as comunidades tradicionais e os povos indígenas que nelas habitam.

Estudar a proposta, apresentar as ameaças que a mesma contém e indicar mudanças na concepção do TFFF tornou-se necessidade de curto prazo. Responsabilidade e transparência na formulação de caminhos para assegurar a vida das florestas tropicais e todo o serviço que elas oferecem à humanidade é o grande desafio.

Até agora, as experiências foram na direção da destruição contínua das florestas como meio de fazer valer o desenvolvimento do mundo. O preço tem sido muito elevado, e o resultado demonstra aprofundamento da desigualdade, concentração da riqueza, aceleração do processo de destruição das florestas e do manancial ecológico por ela ofertado.

O modelo de desenvolvimento vigente não permitirá estabelecer outra forma de relação com as florestas e, sim, aumentar o valor dela no mercado mundial — daí a forte presença do componente bancário na concepção do fundo.

Não é para abandonar a proposta de posicionar as florestas tropicais como bens da humanidade e, por isso, devem ser protegidas, conservadas e preservadas, pois todos — os que a destroem e os que com ela estabelecem outras formas de convivência — delas necessitam.

É para olhar com atenção o TFFF e estabelecer debates com a sociedade.