O turismo e a cidade
O bom movimento de turistas em Manaus é animador, por inúmeras razões. Duas delas são o incremento na economia local e estadual a partir das compras feitas por esse tipo de visitante; e a outra é a divulgação da cidade na forma mais eficiente e tradicional, a conversa, o repassar as impressões para amigos, familiares sobre o lugar visitado.
Bem realizado, o que significa incluir o respeito no tratamento a quem chega e a quem vive na terra, o turismo é um dos bons mecanismos da economia na maioria dos lugares do mundo. Na Amazônia, é seguramente uma fonte a ser explorada de forma ecológica com capacidade de gerar recursos financeiros e postos de trabalho. Ainda são poucas as iniciativas desenvolvidas na região e as que realmente conseguem realizar um bom trabalho são contadas nos dedos de uma mão.
Mais de mil turistas incluíram Manaus no roteiro de visita, por meio de cruzeiros. A estimativa da Empresa Estadual de Turismo do Amazonas (Amazonas-Tur) é que 20 mil turistas passem por Manaus na temporada de cruzeiros 2019-2020 e, no circuito serão incluídas outras cidades que integram o percurso natural do navio.
A cidade de Manaus deveria se apresentar da melhor forma e ser expressão do cuidado com o lugar e com as pessoas que vivem neste lugar. Fazer da sua orla um dos melhores espaços de recepção e de encontros. Não é assim, a cidade está suja, com trechos tomados pelo lixo e locais belos, como a Praça Heliodoro Balbi (a Praça da Polícia), tradicionalmente procurada pelos visitantes está descuidada e com mal cheiro forte. Falta Manaus na cara de Manaus, e sobra a relação bruta de um sistema de trânsito que vigora há alguns anos.
A reduzida faixa de calçadas obriga a todos a malabarismos para ir e vir, exclui em boa parte da cidade as pessoas que têm dificuldades especiais e precisam utilizar equipamentos de apoio como cadeira de rodas, andadores e muletas. É essa outra feição, da omissão dos poderes no cuidado da cidade que aparece e briga com a outra produzida pela natureza exuberante, o das águas do rio Negro, da vegetação e da fauna. Os negócios gerados pelo turismo ecologicamente responsável são uma opção saudável nesta região, com chances de retorno econômico efetivo, mas para isso, é preciso investir na cidade e assumir a luta pela humanização dela.