Manaus sáb, 17 out
A Crítica
Opinião

O uso da máquina pública

Publicado em 17/07/2021 às 12h52 · Atualizado em 13/03/2022 às 19h16
O uso da máquina pública

A contaminação profunda do fator eleitoral/eleitoreiro orienta as ações dos governos nos três níveis e vem se constituindo na outra face da moeda, a do desgoverno. Do plano apresentado como proposta para a cidade, o estado e a nação o que se consolida é outra coisa. Na maioria dos casos, fica patente a busca pela reeleição como foco maior das ações do administrador público.

O efeito da conduta eleitoral/eleitoreira se reflete na letargia e até paralisia de setores governamentais para que outros funcionem mais em busca de aplausos e dos votos. Não há novidade e muito menos inovação governamental que demonstrem disposição de aplicar o plano de governo, corrigir falhas nele e efetivamente trabalhar pelo desenvolvimento ecologicamente sustentável.

Equipes responsáveis pela atuação governamental em áreas que concentram os segmentos em situação de vulnerabilidade repetem o velho erro de fazer campanha ou para testar a popularidade de quem comanda a secretaria e ou diretoria ou na difusão da imagem do prefeito, do governador ou do presidente. O que deveria ser essencial passa a ser secundário para o eleitoral/eleitoreiro funcionar. Um grande número de pessoas é acionado como servidor público no papel de disseminador eleitoral.

A reeleição tratada dessa maneira espalha prejuízos, deforma a máquina pública e reforça a cultural de um jogo que se torna cada vez mais violento e desastroso para o governo quanto à sociedade. São milhões em verbas públicas desviados ou empregados em atividades que poderiam ser dispensadas, desvio de função de servidores e aparelhamento compulsivo da estrutura administrativa a partidos, dirigentes partidários, líderes religiosos e corporações empresariais de pequeno, médio e grande portes.

O sistema de atuação governamental aprofunda mazelas nele próprio e nas camadas sociais. A ideia de que o vale tudo é a saída está posta e vem sendo praticada como se natural fosse. Normalizar esse tipo de conduta é um golpe à democracia e ao princípio conquistado de governo democrático. Sair do ciclo deve ser encarado como necessidade vital e exige determinação dos eleitos, dos servidores públicos e da sociedade organizada principal vítima dessas ações. O governo não pode ser percebido como trampolim. As regras, os estatutos e a Constituição são os mecanismos que precisam ser conhecidos e lembrados para dar um basta à festa do não governo.