Manaus dom, 18 out
A Crítica
Opinião

Obstáculos ao teletrabalho no Amazonas

Publicado em 01/09/2020 às 12h34 · Atualizado em 13/03/2022 às 20h05
Obstáculos ao teletrabalho no Amazonas

O trabalho remoto é uma das inovações recentes no universo laboral que acabou ganhando força com o advento da pandemia de covid-19. Empresas e funcionários foram obrigados a uma rápida adaptação. Apesar de alguns percalços, a nova modalidade traz uma série de vantagens para empregadores e empregados, desde que haja disciplina em ambas as partes. Não é à toa que diversas organizações já anunciaram a adoção permanente do trabalho remoto em certos setores, principalmente nos relacionados às atividades administrativas.

Tudo indica que o home office veio para ficar e deve difundir-se ainda mais. Estudos mostram  que o teletrabalho causa impactos positivos na qualidade de vida dos colaboradores e também na mobilidade urbana, já que reduz as pressões sobre o trânsito, sem falar na economia das empresas em despesas como energia e água, entre outros. É claro que vários ajustes precisam ser feitos a fim de tornar as condições de trabalho justas para todos, mas, no geral, os benefícios sobressaem.

Porém, o avanço da modalidade encontra obstáculos no Amazonas. Por aqui, apenas 5,5% dos trabalhadores atuam ou atuaram de forma remota na pandemia. O índice é menos da metade da média nacional, o que pode ser causado por um conjunto de fatores como a péssima qualidade dos serviços de internet, resistência por parte do empresariado e as próprias características do mercado de trabalho local, que tem na indústria e no comércio grandes empregadores – setores com menor possibilidade de adesão ao teletrabalho. Os operários precisam estar fisicamente nas fábricas, assim como os vendedores nas lojas.

A baixa adesão ao home office no Amazonas pode ser revertida com a necessária melhoria nos serviços de acesso à internet. É urgente que investimentos em infraestrutura sejam feitos para melhorar a qualidade e a velocidade da conexão. Se o cenário é difícil na capital, é muito pior no interior, onde servidores públicos convivem com uma conectividade absurdamente precária. No momento que o Estado amarga o maior índice de desemprego do País, é fundamental dar um salto digital. O que está em jogo são empregos. Não resta dúvida que o avanço do home office abre também inúmeras possibilidades de trabalho e geração de renda.