Os desafios para desenvolver o Amazonas
A Amazônia já se encontra mapeada há muito tempo pelos diferentes negócios mundiais interessados nas reservas e riquezas desta parte do território nacional
A participação do governador do Amazonas, Wilson Lima, em dois eventos, em Nova Iorque (EUA), A Conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre Água, e na versão norte-americana do Fórum de Líderes Empresariais (LIDE) põe em pauta a percepção e a disposição estadual quanto a assuntos caros à sociedade amazônica e ao mundo. Para onde seguirá o governo do Amazonas nos arranjos de investimentos acenados ao Estado?
Esta é uma questão de fundo, delicada e de difícil articulação na composição dos interesses político-econômicos em disputa. A Amazônia já se encontra mapeada há muito tempo pelos diferentes negócios mundiais interessados nas reservas e riquezas desta parte do território nacional. Alguns desses investidores têm deixado na região um lastro historicamente trágico. Trata-se de modelo de desenvolvimento que não gera benefícios às populações locais e sim produz riqueza aos que nele atuam sem compromisso com a Amazônia. É predatório e possui capacidade econômica e suporte de poderes institucionais para desagregar, explorar, saquear, obter lucro e ampliar o índice de pobreza, de violência e devastação.
Instrumentos da governança internacional buscam cada vez mais estabelecer normas sólidas sobre a implantação de empreendimentos transnacionais em regiões com características como a da Amazônia. Mesmo assim, com frequência e a anuência de alguns governadores, prefeitos e do parlamento mantêm esse tipo de negócio ligado à garimpagem, extração madeireira, pesca e de outros minérios.
O governador Wilson Lima, em discurso-convite a empresários para que invistam no Amazonas, se apresentou como alguém que estava para ouvir, aprender sobre a preservação das fontes hídricas do Amazonas. Apresentou o desejo de assegurar às comunidades isoladas o acesso à água potável. Há um compromisso dentro dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) de atingir até 2030 a meta da água potável e do saneamento básico às populações que hoje não têm esse direito.
No Amazonas, as condições tanto de acesso à água quanto ao saneamento são precárias. Rios estão contaminados e outros sob ameaça real de contaminação, igarapés, lagos e paranás são destruídos em larga escala. É praticamente impossível ao Estado chegar a 2030 com índices mais animadores e próximos dos que são ideais.
Wilson Lima retornará com muitas informações, rico painel de possibilidades e cenários. Dependerá do tamanho da vontade política do governador em inaugurar novo posicionamento que se reflita nos programas de governo e demais instâncias de poder.