Os efeitos das decisões no Amazonas
O Estado do Amazonas poderá chegar já no final deste ano como uma das unidades da federação mais afetada pelos cortes de verbas federais em áreas básicas, o que irá representar um longo prazo de recuperação e superação dos níveis de desigualdade nele registrados. Mais distante se tornará a convivência da sociedade amazonense com uma política de desenvolvida diferenciada onde o respeito às especificidades do Estado e dos povos que nele vivam seja a linha condutora dos projetos e das ações planejadas e executadas a partir de amplo diálogo entre os setores produtivos e os segmentos sociais.
A falta de um plano socialmente mais real por parte do governo federal para tomar decisões que sejam potencialmente capazes de prospectar os efeitos delas nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste está evidenciada. São projetos formulados em gabinetes distantes da realidade brasileira e que têm como interesse gerar dividendos direcionados à determinada economia encaixando as demais áreas nessa disposição. A planificação da economia tendo como interlocutor principal o governo dos Estados Unidos elimina a participação de outros segmentos sociais e submete o Brasil a profunda dependência do humor governamental norte-americano. É um erro que a história demonstrou em diferentes momentos da vida nacional, de outros países latino-americanos e de outras regiões do mundo que seguiram essa receita.
O desmanche da política industrial do Amazonas, a paralisia em setores estratégicos da pesquisa científica e da inovação tecnológica e a suspensão de uma série de atividades nesse campo empurram o Estado à estagnação, reforçam o clima de instabilidade social e escancaram os atos de violência física e psicológica. Segmentos com importância social e econômica na manutenção de uma relação produtiva, de postos de trabalho e na geração da renda familiar estão sendo desconstituídos não porque estejam sendo substituídos por programas que respondam com eficiência às demandas por eles supridas e sim por decisão político-administrativa que, em evidente ignorância sobre as peculiaridades regionais, desconsidera o valor estratégicos dessas iniciativas em regiões como a do Amazonas.
Na produção das pesquisas científica, o incentivo financeiro é o mecanismo determinante da política de formação de pesquisadores e na utilização dessa mão de obra especializada em áreas que necessitam desse corpo de cientistas para que possam ser implementadas, reforçadas e operem em bom ritmo a favor do Estado. Aceitar de braços cruzados esse tipo de ações é trabalhar contra o Amazonas.