Os sem-internet pedem reação ao descaso
Provedores nessa área representam um dos maiores mercados globais
Os provedores do serviço de internet estão em déficit no Amazonas. Em meio as promessas de melhoria, o preço pago ao sistema privatizado segue o ritmo de reajuste dos planos enquanto os usuários avolumam queixas quanto às falhas, interrupções frequentes sem aviso prévio e precarização no atendimento.
Ainda prevalecem nos contratos feitos entre as empresas provedoras e clientes cláusulas que já deveriam ter sido banidas por representarem nas entrelinhas motivações de prazo de fidelidade. Ou seja, feito o contrato, o contratante se depara com um serviço ineficiente e tem que mantê-lo diante de arsenal de convencimentos e das dificuldades apresentadas para romper o contrato sem sofrer outros dados.
A relação atual nessa área de serviço é absurda. Na maioria dos municípios amazonenses a noção de conectados é falsa e cria nuvem para impedir uma visão próximo do real vivido por milhares de usuários. É cena comum ver pessoas com braços esticados para o alto em busca do sinal de conexão. Os sem-internet mesmo pagando pelo serviço são muitos, o que constitui exploração e violação de direitos.
Seria interessante perceber por parte dos representantes dos poderes estabelecidos no Estado determinação política para articular um movimento estadual de reação à postura de pouco importância dos provedores. Nessa ação estriam envolvidas prefeituras, câmaras municipais, deputados estaduais, governo, empresários e todos os segmentos vítimas da péssima condição da internet para enfrentar as corporações que lucram com esse tipo de privatização e submetem clientes à ineficiência de longo prazo.
Provedores nessa área representam um dos maiores mercados globais. Lidam como cifras gigantescas e decidem, a partir de filtros, quais os lugares e grupo de pessoas que podem usufruir de um serviço decente. Nessa divisão, regiões compreendidas como subdesenvolvidas são ‘contempladas’ com o pacote dos problemas de conexão. E na subdivisão econômico-politica que o sistema faz, por exemplo, dentro do Brasil, regiões dispõem de acesso melhor enquanto a outras esse acesso é negado. O Estado do Amazonas é parte desse pacote.
As reclamações, os processos, as denúncias oficializadas constituem vasto acervo para a tomada de decisão o mais coletiva possível. Não é aceitável naturalizar a ineficiência dos provedores. A publicidade oferece, todo dia, em vários momentos, usando pessoas públicas, vantagens para que as pessoas façam a adesão a esse ou aquele plano, a essa ou aquela empresa. A realidade dos usuários é dura e a maioria se sente lesada por ela.