Manaus dom, 1 nov
A Crítica
Opinião

Os sem-internet pedem reação ao descaso

Provedores nessa área representam um dos maiores mercados globais

Publicado em 11/07/2023 às 12h24
Os sem-internet pedem reação ao descaso
Foto: Agência Brasil

Os provedores do serviço de internet estão em déficit no Amazonas. Em meio as promessas de melhoria, o preço pago ao sistema privatizado segue o ritmo de reajuste dos planos enquanto os usuários avolumam queixas quanto às falhas, interrupções frequentes sem aviso prévio e precarização no atendimento.

Ainda prevalecem nos contratos feitos entre as empresas provedoras e clientes cláusulas que já deveriam ter sido banidas por representarem nas entrelinhas motivações de prazo de fidelidade. Ou seja, feito o contrato, o contratante se depara com um serviço ineficiente e tem que mantê-lo diante de arsenal de convencimentos e das dificuldades apresentadas para romper o contrato sem sofrer outros dados.

A relação atual nessa área de serviço é absurda. Na maioria dos municípios amazonenses a noção de conectados é falsa e cria nuvem para impedir uma visão próximo do real vivido por milhares de usuários. É cena comum ver pessoas com braços esticados para o alto em busca do sinal de conexão. Os sem-internet mesmo pagando pelo serviço são muitos, o que constitui exploração e violação de direitos.

Seria interessante perceber por parte dos representantes dos poderes estabelecidos no Estado determinação política para articular um movimento estadual  de reação à postura de pouco importância dos provedores. Nessa ação estriam envolvidas prefeituras, câmaras municipais, deputados estaduais, governo, empresários e todos os segmentos vítimas da péssima condição da internet para enfrentar as corporações que lucram com esse tipo de privatização e submetem clientes à ineficiência de longo prazo.

Provedores nessa área representam um dos maiores mercados globais. Lidam como cifras gigantescas e decidem, a partir de filtros, quais os lugares e grupo de pessoas que podem usufruir de um serviço decente. Nessa divisão, regiões compreendidas como subdesenvolvidas são ‘contempladas’ com o pacote dos problemas de conexão. E na subdivisão econômico-politica que o sistema faz, por exemplo, dentro do Brasil, regiões dispõem de acesso melhor enquanto a outras esse acesso é negado. O Estado do Amazonas é parte desse pacote.

As reclamações, os processos, as denúncias oficializadas constituem vasto acervo para a tomada de decisão o mais coletiva possível. Não é aceitável naturalizar a ineficiência dos provedores. A publicidade oferece, todo dia, em vários momentos, usando pessoas públicas, vantagens para que as pessoas façam a adesão a esse ou aquele plano, a essa ou aquela empresa. A realidade dos usuários é dura e a maioria se sente lesada por ela.