Manaus sáb, 17 out
A Crítica
Opinião

Poluição de Manaus e planos de governo

Publicado em 29/04/2019 às 11h39 · Atualizado em 13/03/2022 às 20h29
Poluição de Manaus e planos de governo

Os estudos sobre a poluição de Manaus, assunto divulgado por A CRÍTICA no caderno Cidades, edição de domingo, p.6 e p.7, retomam preocupação antiga manifestada por pesquisadores de várias áreas e distribuídos em grupos mistos, local/nacional ou local/internacional. A versão mais recente, publicada em formato de artigo na revista Nature Communications integra um trabalho maior dentro do Projeto Temático sobre Mudanças Climáticas Globais, realizado com apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

A poluição produzida em Manaus gera, de acordo com o estudo, aumento de 200% com pico de até 400% na formação dos aerossóis orgânicos secundários (são partículas sólidas, liquidas ou gasosas, suspensas no ar). O que tem a ver esse aumento com a vida das pessoas? Os pesquisadores afirmam que produção exagerada pela floresta dos aerossóis impacta significativamente nas mudanças climáticas globais, como o balanço radioativo, a produção de nuvens, de chuva e afeta a taxa de fotossíntese das plantas.

Os aerossóis orgânicos são produzidos no solo da floresta amazônica, em quantidades inferiores. A poluição urbana altera a relação de equilíbrio e, na soma geral, impacta as condições de vida, no ecossistema. Entre os próximos passos que os pesquisadores irão dar nessa investigação, os elementos ora constatados já apontam para a necessidade de pensar e reagir, com responsabilidade técnica sobre a poluição urbana, e, especificamente, a de Manaus. As medidas que vem sendo tomadas em nível governamental convergem para um agravamento desse quadro.

Manaus reproduz em escala larga os problemas verificados em outras metrópoles e as consequências diretas na vida urbana local e, nesse caso, mundial. Os megaprojetos econômicos que têm, na atual conjuntura, a Amazônia como lugar de desenvolvimento, não consideram fatores dessa ordem. O pensamento dominante é econômico combinado com a lógica do mercado mundial que, em essência, quer lucro em curto prazo e não usa a categoria limite, o que deveria ser naturalmente colocado pelos governos locais e nacionais dos lugares a serem explorados. Isso não corre, ao contrário, há um realinhamento dos governos do mundo do qual o Brasil participa, como cedente, pela valorização dessa lógica. Acordos entre o governo brasileiro e outros governos entre os quais os dos EUA e de Israel, sob a legenda de avançar no desenvolvimento nacional, têm relação direta com o que está agora sendo apresentado pela ciência.