Profissionais da Saúde
Lourenço Braga, do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas
O mundo inteiro luta contra uma pandemia devastadora, crudelíssima, que vem desafiando governos e governantes, saberes e cientistas, encimando a dor, espalhando a destruição, a morte e até a descrença. Em todos os lugares, o luto, o choro incontido, o desespero, mas o Homem, criatura de Deus, não se tem furtado à guerra, no front das batalhas diárias pela vida e pela saúde de semelhantes que sequer conhece, de todas as idades e raças, vindos de todos os lugares e chegados em todas as horas.
São guerreiros anônimos, armados de amor e de desvelo, que vestem no branco, azul, verde ou qualquer outra cor, a farda da dedicação angelical que a bondade divina lhes concede, e que os capacita a minorar o sofrimento, a construir a cura e a fortalecer a fé.
Nos últimos 100 anos, médicos, enfermeiros, assistentes, auxiliares, maqueiros, psicólogos, assistentes sociais, dentistas, todos os profissionais, enfim, que atuam na área da saúde, não eram tão demandados, tão exigidos, convocados para uma luta pela vida como agora acontece com o enfrentamento do coronavirus nos postos de saúde, nas casinhas da estratégia de saúde familiar, nos pronto socorros, nos hospitais, nas clínicas e, como se dá na guerra, sem tempo para descanso, sem hora para acabar a luta, fazendo das seringas, das ampolas, das drágeas, dos comprimidos, dos instrumentos de pressão e de temperatura, dos oxímetros, dos respiradores, das balas de oxigênio, enfim, as armas que usam a todo instante munidos da força da crença m Deus e na Ciência.
A todos, do mais graduado ao mais humilde dos servidores da saúde, homenageio, genuflexo, com a honra que se deve aos justos e aos bons, no dia em que minha irmã Ana Maria, que empresta seu honrado nome a uma Unidade de Saúde, em Manaus, e a uma cadeira na Academia Amazonense de Medicina, estaria a aniversariar e, se ainda entre nós fisicamente, com certeza comporia a linha de frente desses valentes guerreiros. Em sua memória, reverencio todos os que doam suas vidas em busca de salvar vidas, com essa quase poesia:
NINA
Dia 15 de janeiro,
depois tem o ano inteiro,
aniversário de Nina,
doutora que vi menina,
a nossa Ana Maria,
com quem brincava criança
ela com a esperança
de ir cursar Medicina
era o que sempre dizia.
Foi médica quando cresceu,
para ela um sacerdócio
tal sua dedicação
e foi enquanto viveu
sem querer fazer negócio
da profissão que escolheu.
Atender quem não pagava
a ela propiciava
enorme satisfação
saber o quanto curava
alegrava seu coração.
Um câncer a vitimou
no meio da caminhada
mas ela não blasfemou
a Deus jamais reclamou
suportou tudo calada.
Aos seis meses da partida
inda com alma ferida
disse a ela chorando
que o câncer se propaga
as células dizimando,
ele se multiplicando
e o corpo destruindo,
no que ele vai atingindo,
mas que nem tudo ele apaga;
que o amor se prorroga
iluminando a vida
esta e a que há de vir
que ele mesmo maldito
não consegue destruir.
Câncer não mata lembrança,
não destrói a esperança
de um tempo de bonança
que o espírito deve ter
também não mata saudade
e pra falar a verdade
ainda que plante a dor,
mesmo não tendo clemência,
apesar da violência,
o câncer não mata o amor.