Manaus sáb, 17 out
A Crítica
Opinião

Profissionais da Saúde

Lourenço Braga, do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas

Publicado em 15/01/2021 às 19h01 · Atualizado em 24/03/2022 às 22h58
Profissionais da Saúde

O mundo inteiro luta contra uma pandemia devastadora, crudelíssima, que vem desafiando governos e governantes, saberes e cientistas, encimando a dor, espalhando a destruição, a morte e até a descrença. Em todos os lugares, o luto, o choro incontido, o desespero, mas o Homem, criatura de Deus, não se tem furtado à guerra, no front das batalhas diárias pela vida e pela saúde de semelhantes que sequer conhece, de todas as idades e raças, vindos de todos os lugares e chegados em todas as horas.

São guerreiros anônimos, armados de amor e de desvelo, que vestem no branco, azul, verde ou qualquer outra cor, a farda da dedicação angelical que a bondade divina lhes concede, e que os capacita a minorar o sofrimento, a construir a cura  e a fortalecer a fé.

Nos últimos 100 anos, médicos, enfermeiros, assistentes, auxiliares, maqueiros, psicólogos, assistentes sociais, dentistas, todos os profissionais, enfim, que atuam na área da saúde, não eram tão demandados, tão exigidos, convocados para uma luta pela vida como agora acontece com o enfrentamento do coronavirus nos postos de saúde, nas casinhas da estratégia de saúde familiar, nos pronto socorros, nos hospitais, nas clínicas e, como se dá na guerra, sem tempo para descanso, sem hora para acabar a luta, fazendo das seringas, das ampolas, das drágeas, dos comprimidos, dos instrumentos de pressão e de temperatura, dos oxímetros, dos respiradores, das balas de oxigênio, enfim, as armas que usam a todo instante munidos da força da crença m Deus e na Ciência.

A todos, do mais graduado ao mais humilde dos servidores da saúde,  homenageio, genuflexo, com a honra que se deve aos justos e aos bons, no dia em que minha irmã Ana Maria, que empresta seu honrado nome a uma Unidade de Saúde, em Manaus, e a uma cadeira na Academia  Amazonense de Medicina, estaria a aniversariar e, se ainda entre nós fisicamente, com certeza comporia a linha de frente desses valentes guerreiros. Em sua memória, reverencio todos os que doam suas vidas em busca de salvar vidas, com essa quase poesia:   

NINA

Dia 15 de janeiro,

depois tem o ano inteiro,

aniversário de Nina,

doutora que vi menina,

a nossa Ana Maria,

com quem brincava criança

ela com a esperança

de ir cursar Medicina

era o que sempre dizia.

Foi médica quando cresceu,

para ela um sacerdócio

tal sua dedicação

e foi enquanto viveu

sem querer fazer negócio

da profissão que escolheu.

Atender quem não pagava

a ela propiciava

enorme satisfação

saber o quanto curava

alegrava seu coração.

Um câncer a vitimou

no meio da caminhada

mas ela não blasfemou

a Deus jamais reclamou

suportou tudo calada.

Aos seis meses da partida

inda com alma ferida

disse a ela chorando

que o câncer se propaga

as células dizimando,

ele se multiplicando

e o corpo destruindo,

no que ele vai atingindo,

mas que nem tudo ele apaga;

que o amor se prorroga

iluminando a vida

esta e a que há de vir

que ele mesmo maldito

não consegue destruir.

Câncer não mata lembrança,

não destrói a esperança

de um tempo de bonança

que o espírito deve ter

também não mata saudade

e pra falar a verdade

ainda que plante a dor,

mesmo não tendo clemência,

apesar da violência,

o câncer não mata o amor.